Brasil Lula é indiciado pela PF por propina de R$ 20 mi para sobrinho 

Lula é indiciado pela PF por propina de R$ 20 mi para sobrinho 

Taiguara Rodrigues e executivos da Odebrecht foram indiciados por lavagem de dinheiro

Lula é indiciado pela PF por propina de R$ 20 mi para sobrinho 

Taiguara Rodrigues deu explicações à CPI do BNDES em 2015

Taiguara Rodrigues deu explicações à CPI do BNDES em 2015

Lucio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

A PF (Polícia Federal) indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo crime de corrupção, por suspeita de que a empresa Exergia, cujo sócio era Taiguara Rodrigues, "sobrinho do petista", tenha recebido propina de R$ 20 milhões da empreiteira Odebrecht em Angola. Segundo a PF, esse valor corrigido chega a R$ 31 milhões.

Para a PF, a influência de Lula teria possibilitado o acordo. As informações foram divulgadas pela PF nesta quarta-feira (5).

Taiguara é filho de um amigo de Lula, Jacinto Ribeiro dos Santos, o Lambari. Jacinto é irmão da primeira mulher do ex-presidente, que já morta. Portanto, Taiguara é um sobrinho de Lula por consideração.

De acordo com a instituição, o pagamento dos R$ 20 milhões ocorreu "sem a devida prestação dos serviços de engenharia em empreendimentos de infraestrutura financiados pelo BNDES em Angola".

Lula foi indiciado por corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Se o MPF (Ministério Público Federal) apresentar denúncia, o ex-presidente vai responder criminalmente por esses crimes. O mesmo vale para Taiguara, um sócio dele e outros sete executivos da empreiteira Odebrecht na medida de suas participações.

A PF concluiu que os contratos de Taiguara só aconteceram por causa do parentesco e das relações da empreiteira com Lula, além dos documentos que citam o próprio ex-presidente no negócio. Já seu sobrinho e sete executivos da empreiteira, incluindo Marcelo Odebrecht, foram indiciados por corrupção e lavagem.

A decisão de indiciar Lula decorre de cinco meses de invesrtigação na Operação Janus, da PF. Taiguara foi alvo de um mandado de busca e apreensão em maio deste ano. Entre as provas apreendidas pela PF, está uma espécie de diário encontrado no computador de Taiguara, em que o sobrinho de Lula registrava as negociações em arquivos do programa Word.

Entre os textos há um registro de 2009, quando Taiguara descreve uma reunião. Segundo a revista Época, "ele esteve em Brasília para conversar com o tio. Registrou até a duração do encontro: 50 minutos. Taiguara resumiu a resposta de Lula, dizendo que ele deu 'carta branca' para os negócios em Angola".

Sobrinho de Lula admitiu contrato com a Odebrecht à CPI do BNDES

Lula já é acusado pelo Ministério Público Federal no caso do triplex

Lula já é acusado pelo Ministério Público Federal no caso do triplex

Ariadne Barroso/15.09.2016/Photo Press/Folhapress

Taiguara afirmou à CPI do BNDES em outubro do ano passado que sua empresa, a Exergia Brasil, recebeu entre US$ 1,8 milhão e US$ 2 milhões por serviços prestados à Odebrecht.

O valor era referente à obra de ampliação e modernização da hidrelétrica de Cambambe, em Angola. A Polícia Federal já investigava se os pagamentos à empresa de Taiguara foram utilizados para o recebimento de propinas.

Na ocasião, o executivo falou por quatro horas à comissão e disse que o valor é referente a serviços de sondagem, avaliação da topografia e gerenciamento de obras prestados pela empresa. Segundo ele, todos os contratos foram obtidos por meio de licitações dentro da empreiteira.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Instituto Lula declarou que "o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sua vida investigada há 40 anos, teve todas as suas contas e de seus familiares devassadas, seu sigilo bancário, fiscal e telefônico quebrado e não foi encontrada nenhuma irregularidade. Lula não ocupa mais nenhum cargo público desde 1º de janeiro de 2011, e sempre agiu dentro da lei antes, durante e depois de ocupar dois mandatos eleitos como presidente da República. A defesa do ex-presidente irá analisar o documento da Polícia Federal, vazado para a imprensa e divulgado com sensacionalismo antes do acesso da defesa, porque essa prática deixa claro que não são processos sérios de investigação, e sim uma campanha de massacre midiático para produzir manchetes na imprensa e tentar destruir a imagem do ex-presidente mais popular da história do país".

Triplex do Guarujá

Esta não é a primeira vez que o ex-presidente Lula é indiciado pela PF. Em agosto, o petista foi indiciado no inquérito que investiga o triplex do Condomínio Solaris no Guarujá, litoral paulista. O ex-presidente é suspeito de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Na mesma ação, também foram indiciados a ex-primeira-dama Marisa Letícia — por corrupção e lavagem de dinheiro — e o ex-presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto.

Em seguida, o MPF (Ministério Público Federal) apresentou denúncia contra o ex-presidente e a mulher dele, dona Marisa Letícia, por causa do apartamento do Guarujá. Outras seis pessoas também são acusadas pelo Ministério Público Federal. Até agora, porém, o juiz federal Sérgio Moro ainda não decidiu se Lula, dona Marisa e os outros seis vão se tornar réus na Lava Jato.