Mandetta diz que não teria outro caminho a oferecer

Ministro da Saúde afirmou que 'é público' que o presidente Jair Bolsonaro quer mudar direção das políticas adotadas no combate ao coronavírus

Mandetta deve deixar o ministério em breve

Mandetta deve deixar o ministério em breve

Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo - 15.4.2020

Em vias de deixar o cargo, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, admitiu nesta quarta-feira (15) que as visões dele e do presidente Jair Bolsonaro sobre estratégias para o combate do coronavírus "são diferentes", mas que não possui alternativa além do que a pasta tem feito.

"Eu não estou ministro por obra de nada diferente do que do presidente. E ele claramente externa que ele quer um outro tipo de posição por parte do Ministério da Saúde, que eu, baseado no que nós recebemos, baseado em ciência, eu tenho este caminho para oferecer. Fora desse caminho, tem que achar alternativas", disse em entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

O principal ponto de divergência entre Mandetta e Bolsonaro é a recomendação de que se mantenha o distanciamento social, incluindo o fechamento de serviços e comércios não essenciais, em locais com maior incidência de casos de covid-19.

O ministro acrescentou que já é de conhecimento público que há atritos com o presidente em relação às diretrizes do Ministério da Saúde. 

No entanto, disse que a posição de um eventual afrouxamento dessas medidas não é exclusiva de Bolsonaro. "Não é o presidente, existem outras pessoas", citando o ex-ministro e deputado federal Osmar Terra.

"Existem pessoas que acreditam fielmente que esse caminho... e criam essas teorias, de negócio vertical, oblíquo, horizontal. Não sei de onde vêm essas angulações, mas acreditam fielmente. Ninguém é dono da verdade. [...] Nós [ministério] temos um conjunto de informações que nos levam a ter essa conduta de cautela. "

Por outro lado, o ministro minimizou as divergências. 

"Parece que eu sou contra o presidente, ou o presidente é contra mim. Não, são visões diferentes do mesmo problema. Se tivesse uma visão única, seria um problema muito fácil de solucionar. E ele não é um problema maniqueísta, não é em branco ou preto. Existe o cinza, existem várias gradações."

A saída de Mandetta depende apenas de encontrar um substituto. Após uma reunião ministerial na terça-feira (14), ele conversou com os ministro Walter Braga Netto (Casa Civil) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

"Eu disse a eles: 'Fiquem tranquilos, procurem aí [um nome]'."