Eleições 2018
Brasil Manifestantes fecham estrada e impedem ato de Lula no RS

Manifestantes fecham estrada e impedem ato de Lula no RS

Opositores do ex-presidente Lula atearam fogo em pneus no acesso a Passo Fundo; Brigada Militar reagiu com gás lacrimogênio e bombas de efeito moral

Manifestantes fecham estrada e impedem ato de Lula no RS

Manifestantes ateiam fogo e fecham acesso a Passo Fundo

Manifestantes ateiam fogo e fecham acesso a Passo Fundo

Fabiana Spessatto Bringhenti

Um grupo de ruralistas, produtores agrícolas e opositores ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) bloqueou a estrada que dá acesso a Passo Fundo (RS), no final da manhã desta sexta-feira (23), e impediu a chegada da caravana de Lula e seus apoiadores à cidade.

O ex-presidente iniciou na segunda-feira (19) em Bagé (RS), extremo sul do Brasil, uma caravana pelos três Estados da região Sul. A viagem se encerra em 28 de março com ato em Curitiba (PR).

A jornada desta sexta começou em Ronda Alta (RS), cidade a 360 km de Porto Alegre, com visita a um conjunto habitacional rural do programa Minha Casa Minha Vida.

Bloqueio realizado na RS-324, em Passo Fundo

Bloqueio realizado na RS-324, em Passo Fundo

Octadrones

O plano era seguir pela RS-324 rumo a Passo Fundo, 80 km distante, para visitar o campus local da Universidade Federal da Fronteira Sul. 

Usando tratores e queimando pneus, os manifestantes fecharam o trevo de acesso a Passo Fundo, onde Lula era esperado por militantes petistas e manifestantes opositores no centro da cidade.

De acordo com relatos de testemunhas e imagens recebidas pela reportagem, a Brigada MIlitar tentou dispersar os manifestantes com gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e balas de borracha. Alguns manifestantes ficaram feridos.

A comitiva de Lula decidiu aguardar na cidade de Pontão pela liberação da estrada, mas acabou desistindo, cancelando o ato em Passo Fundo. A via só foi desbloqueada por volta das 17h, segundo a Brigada Militar.

A caravana de Lula vem enfrentando resistência de ruralistas em sua passagem pelo Rio Grande do Sul, Estado que é berço do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), um dos maiores apoiadores do ex-presidente.

Em discurso na terça-feira (20) em Santa Maria, ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente declarou que os grandes fazendeiros são ingratos e caloteiros.

“Por mais que a gente financiasse a agricultura aqui no Rio Grande do Sul, toda eleição eles [grandes fazendeiros] se colocavam contra nós. Fazendeiro que pegava dinheiro emprestado do governo federal, ele tinha dois prazeres na vida: um quando ele pegava o dinheiro e o outro quando eles davam o calote no governo. Essa gente nunca gostou do PT”, disse o ex-presidente.

Em nota, a Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) repudiou a declaração.

“(...) Dentre todas as linhas de crédito disponíveis no país, o crédito rural é a de menor inadimplência de acordo com o Banco Central, é um preconceito também com os produtores rurais. Nem os empresários e tampouco os trabalhadores devem favores a ocupantes de cargos públicos”, afirmou a federação.

No fim da noite, o Partido dos Trabalhadores emitiu nota contra o fechamento da via e criticando o cancelamento do ato em Passo Fundo. Segundo o partido, os manifestantes portavam armas de fogo e atiravam pedras e rojões contra os veículos. A reportagem do R7 não recebeu flagrantes nesse sentido.

Ainda de acordo com o PT, o governo do Rio Grande do Sul tem se mostrado incapaz de garantir a segurança de Lula e Dilma durante a caravana pelo Sul (leia a nota completa abaixo).

Lula encerra sua passagem pelo Estado na noite de hoje, em São Leopoldo.

Nota do Partido dos Trabalhadores:

"ESTADO DEMOCRÁTICO NÃO ADMITE VIOLÊNCIA POLÍTICA

Diante da violência das milícias fascistas e da omissão do governo do Rio Grande do Sul, que não conteve esta violência, a caravana do ex-presidente Lula não participou do ato público realizado na tarde desta sexta-feira (23) na cidade de Passo Fundo, noroeste do Estado.

A rodovia na entrada da cidade foi tomada por grupos que portavam armas de fogo e barras de ferro e que atiravam pedras e rojões contra os veículos. Chegaram a fechar a estrada, ateando fogo a pneus. Na praça onde se realizou o ato, o público foi agredido com ovos, paus e pedras.

Mesmo alertado com antecedência e oficialmente sobre a violência programada contra a caravana, o governo do Rio Grande do Sul não impediu que os grupos se formassem nem mobilizou o efetivo policial necessário para conter os agressores.

O comando da Brigada Militar simplesmente se declarou incapaz de garantir a integridade física do ex-presidente Lula, da ex-presidenta Dilma Rousseff, que o acompanha, e dos integrantes da caravana.

Diante desta situação, Lula seguiu para São Leopoldo (Grande Porto Alegre), para participar do último ato público da caravana em sua passagem pelo estado.

O governo do Rio Grande do Sul não garantiu, como era sua obrigação, o direito de ir e vir dos ex-presidentes. Não impediu tampouco outros atos violentos, como a covarde agressão contra quatro mulheres que participaram de um ato na cidade de Cruza Alta, na quinta (22).

O país não pode conviver com a violência destes setores autoritários, que usam métodos fascistas para calar e interditar aqueles de quem discordam.

E o estado não pode se omitir perante estes atentados, que não atingem apenas o PT, mas agridem a democracia e a liberdade.

Depois de encerrar vitoriosamente sua passagem pelo Rio Grande do Sul, a caravana de Lula segue agora para Santa Catarina e Paraná, levando, pacificamente, sua mensagem de esperança no Brasil.

Gleisi Hoffmann, Presidenta Nacional do PT. Márcio Macedo, Coordenador da Caravana Lula pelo Brasil"