Brasil Manifestantes protestam contra governo e defendem democracia

Manifestantes protestam contra governo e defendem democracia

As manifestações foram convocadas por movimentos de centro-direita em ao menos 15 capitais neste domingo

  • Brasil | Do R7 com Agência Estado

Manifestação na orla de Copacabana, na zona sul do Rio

Manifestação na orla de Copacabana, na zona sul do Rio

Ide Gomes / Estadão Conteúdo / 12.09.2021

A manifestação em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, começou a se concentrar às 10h deste domingo. Os atos foram convocadas pelos grupos de centro-direita Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua e Livres neste domingo (12), em ao menos 15 capitais brasileiras. Será o primeiro evento em defesa do impeachment do presidente Jair Bolsonaro encabeçado por tais movimentos suprapartidários, que ganharam projeção durante a campanha pelo impedimento de Dilma Rousseff (PT) em 2016.

Leia também: Vem Pra Rua e MBL querem ato apartidário neste domingo

No Rio, um cartaz mostra o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula (PT) atrás das grades - e pede que nenhum deles seja eleito em 2022. Apesar disso, os ambulantes vendem uma série de itens com o rosto e o nome do petista, que divide espaço com bandeiras do Brasil, do movimento LGBTQIA+ e do Flamengo. Poucos manifestantes de partidos de esquerda, como PCdoB e PDT, estão no local, que ainda não encheu.

Numa tentativa de atrair a esquerda para os atos, a organização havia deixado de lado o mote "Nem Bolsonaro, nem Lula" e decidido focar somente no impeachment do atual presidente da República. Por enquanto, ao menos no Rio, a "bandeira branca" parece não ter sido totalmente hasteada. Este discurso, porém, está limitado ao carro de som de onde militantes do VPR discursam. Em outro palanque ocupado pelo MBL e pelo Livres, isso não se repete.

A manifestação de hoje se dá no mesmo ponto em que bolsonaristas costumam se concentrar na praia de Copacabana.

Candidato à Presidência pelo Novo em 2018, o empresário João Amoêdo, participa da manifestação. Questionado sobre o embate entre os dois carros do ato, que têm defendido causas diferentes, ele se colocou ao lado do MBL, que "esqueceu" Lula e se concentrou na bandeira do impeachment.

"A pauta dos brasileiros não é eleição, terceira via, nada disso", disse. "A gente tem que entender que qualquer construção de um Brasil melhor passa pela saída do Bolsonaro. Se a gente não tiver prioridade total nisso, vai ter ainda mais dificuldade nessa tarefa, que já não é fácil."

O carro do Vem Pra Rua tem criticado tanto Bolsonaro quanto Lula. Também exalta a Lava Jato. Um cartaz mostra o presidente e o petista atrás das grades.

São Paulo

Manifestantes se encontram no MASP (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista, na tarde deste domingo (12) contra o presidente Bolsonaro e pedem, ainda, o impeachment do chefe do Executivo. Imagens do ato, organizado pelo MBL, mostram diversas bandeiras brasileiras, além de cartazes e faixas.

Belo Horizonte

Na Praça da Liberdade, na capital mineira, boa parte do público se restringe a ativistas do Movimento Brasil Livre (MBL), um dos responsáveis pela organização do evento. Além disso, muitos dos presentes usam branco, conforme pedido pela organização. A presença da esquerda, porém, era limitada. Antes, os atos contavam com o mote “Nem Bolsonaro, nem Lula”, que foi retirado pelos organizadores como um jeito de atrair mais partidos da esquerda.

Maranhão

Em São Luís, manifestantes se reuniram na Praça do Pescador a partir das 9h para pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Esta é a quarta mobilização realizada na capital maranhense contra Bolsonaro este ano. 

O presidente estadual do Partido Novo no Maranhão, Leonardo Arruda, disse que "Bolsonaro é o maior estelionatário eleitoral do século XXI". "Ele enganou todos os seus eleitores e grande parcela da população. Crime de responsabilidade fiscal é carta marcada de seu governo. O impeachment é a saída”, afirmou. 

Com faixas e cartazes “Fora Bolsonaro”, o movimento uniu partidos de diferentes campos políticos, além de integrantes da igreja evangélica, em críticas ao presidente. O ato contou com os partidos Novo, PDT, Cidadania e Rede. O MBL também participou da organização no Estado. 

O vereador e presidente municipal do PDT em São Luís, Raimundo Penha, criticou uma fala de Bolsonaro em visita a uma feira do agronegócio no Rio Grande do Sul. “Ele com toda prepotência e arrogância fez uma piada homofóbica contra o governador Eduardo Leite (PSDB). Bolsonaro não respeita ninguém. Por isso, Fora Bolsonaro”, afirmou. 

Salvador

Na Bahia, partidários do PDT, Novo e do Livres se uniram no ato contra o presidente Jair Bolsonaro no Farol da Barra, em Salvador. Fora do foco planejado para as manifestações pelo Brasil, apenas algumas dezenas de pessoas compareceram.

Alguns transeuntes passaram pelo ponto turístico gritando "fora, Bolsonaro".

Alguns ativistas levaram uma faixa pedindo uma terceira via, com a frase "nem Bolsonaro, nem Lula". A organização chegou a retirar o lema da convocação dos atos, almejando atrair mais setores da esquerda para os eventos pelo País.

Mesmo assim, o clima entre os presentes ainda estava pouco amistoso. No microfone aberto, quando militantes do Novo falavam, pedetistas saíam, e vice-versa.

Duas bandeiras de Gadsden, usadas durante a Revolução Americana de 1776, e até uma bandeira do município de Feira de Santana apareceram entre as bandeiras do PDT.

Vitória

No Espírito Santo, a manifestação começou cedo. Às 9h30, os manifestantes se reuniram na Praça do Papa, em Vitória. Depois saírem em carreata pela Terceira Ponte até chegar na Prainha, em Vila Velha.

Diferentemente do que foi decidido em alguns Estados, no Espírito Santo a manifestação manteve o lema "nem Lula, nem Bolsonaro". Por isso, partidos como o PT e o PSOL não aderiram aos atos. O PSB e o PDT convocaram a militância para os protestos.

Alguns manifestantes estavam com camisas de partidos políticos, como o Novo, indo contra a determinação de um ato "apartidário".

"Querem dizer que só existe Lula e Bolsonaro, mas não é verdade. Temos tempo hábil de buscar um outro nome que respeite a democracia, que respeite as instituições e que, fundamentalmente, tenha condições de fazer a gestão do Brasil", afirmou Gustavo Peixoto, um dos líderes do movimento Vem Pra Rua ES.

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