Marinho chega para 3º depoimento por suposta interferência na PF

Empresário dará detalhes para o inquérito que apura se o presidente Jair Bolsonaro tentou atuar no comando e em operações da corporação

Marinho depõe pela terceira vez hoje no Rio de Janeiro

Marinho depõe pela terceira vez hoje no Rio de Janeiro

Jose Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo – 21.05.2020

O empresário Paulo Marinho chegou, por volta das 8h45 desta terça-feira (26), à sede da PF (Polícia Federal) do Rio de Janeiro para depor, pela 3ª vez, sobre a suposta interferência política de Jair Bolsonaro na corporação.

Na semana passada, o empresário já havia dado depoimento a delegados federais da própria PF e a procuradores do MPF (Ministério Público Federal).

Na chegada, Marinho não quis conversar com a imprensa. Apenas garantiu que iria conversar com os jornalistas na saída do prédio. "Eu falo com vocês na volta, com todos vocês", prometeu.

Ontem, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello negou um pedido do senador Flávio Bolsonaro para acessar o depoimento de Paulo Marinho. O magistrado determinou o sigilo sobre os próximos depoimentos do empresário e de Miguel Ângelo Braga Grillo, que vão acontecer nesta terça (26) e quarta (27), respectivamente.

Marinho já prestou um depoimento que durou 5 horas, no último dia 20, na Polícia Federal e outro, no dia 21, na sede do Ministério Público Federal, no Rio de Janeiro, ambos parte do inquérito sobre vazamento de informações sigilosas da PF ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Já o novo depoimento ocorre no âmbito das apurações sobre tentativa de interferência política na PF, por Jair Bolsonaro, iniciadas com base em acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

O empresário é pré-candidato à Prefeitura do Rio pelo PSDB e aliado dos governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio, Wilson Witzel.

Operação Furna da Onça

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Marinho, que é ex-apoiador do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que Flávio Bolsonaro foi informado por um delegado da PF sobre informações reservadas da Operação Furna da Onça, em outubro de 2018, quando ele era deputado estadual.

A operação teve acesso a dados de movimentações financeiras de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. Ela só foi deflagrada em 8 de novembro e teria sido retardada para ocorrer apenas após as eleições, segundo o empresário.