CPI da Covid

Brasil Maximiano diz que valor da Covaxin foi 'piso' praticado por laboratório

Maximiano diz que valor da Covaxin foi 'piso' praticado por laboratório

Imunizante mais caro negociado pelo governo teve valor determinado pela Bharat Biotech, segundo Francisco Maximiano

  • Brasil | Do R7

Francisco Maximiano, dono da Precisa

Francisco Maximiano, dono da Precisa

Jefferson Rudy/Agência Senado - 19.08.2021

O dono da Precisa Medicamentos, Francisco Maximiano, afirmou em depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (19) que o contrato com o Ministério da Saúde para o fornecimento da vacina Covaxin, da fabricante indiana Bharat Biotech, teve o preço mais baixo praticado pela empresa no mercado internacional.

O contrato de R$ 1,6 bilhão, intermediado pela Precisa, no entanto, teve o valor mais alto entre os negociados pelo governo brasileiro - US$ 15 por dose - e virou alvo de órgãos como a Polícia Federal e a CPI após denúncias de irregularidades.

“Quem determina o preço de venda não é a Precisa, e sim o seu fabricante, a Bharat Biotech, que tem uma política internacional de preços. Nós conseguimos que ela fosse praticada no seu piso para o governo brasileiro, como frete, o seguro e todas as despesas incluídas", disse Maximiano.

Essa foi uma das poucas falas do empresário sobre a negociação. Ele usou o direito concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de permanecer em silêncio em questões que julga que possam incriminá-lo.

Maximiano não explicou a mudança de preço ao longo da negociação. Documentos do Ministério das Relações Exteriores mostram que o valor acertado pela Covaxin é 1.000% maior do que, seis meses antes, foi estimado pela própria fabricante - de 100 rúpias (US$ 1,34 a dose).

Este valor não chegou a ser praticado pela Bharat Biontech, mas era uma estimativa de que o custo seria bem menor do que foi acertado com o governo brasileiro. Além disso, o memorial de uma reunião realizada em novembro no Ministério da Saúde estipulava o preço em US$ 10.

O preço final - US$ 15 - do contrato fechado em fevereiro de 2021 acabou sendo maior que as outras vacinas negociadas pelo governo. A da AstraZeneca, por exemplo, custou US$ 3,16 ao Ministério da Saúde. A da Pfizer, US$ 10.

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