CPI da Covid

Brasil 'Me dói', diz médica após ver na CPI vídeo com frases de Bolsonaro

'Me dói', diz médica após ver na CPI vídeo com frases de Bolsonaro

Infectologista não nomeada disse não personificar críticas, mas aponta impacto emocional com declarações como a da 'gripezinha'

  • Brasil | Do R7

A médica Luana Araújo

A médica Luana Araújo

Adriano Machado/ REUTERS 02.06.2021

A médica infectologista Luana Araújo afirmou nesta quarta-feira (2) à CPI da Covid, do Senado Federal, que "dói" ouvir declarações como algumas frases proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro ao longo da pandemia de covid-19 e com as quais ela discorda.

Ela se manifestou após o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentar um vídeo na CPI com  manifestações polêmicas do presidente. Entre as declarações estão a sobre a de que a pandemia seria uma "gripezinha ou resfriadinho", a de que não era "coveiro" e a de o Brasil não poderia ser um "país de maricas".

"A mim me dói”, afirmou a médica. Ela pediu para não personificar suas falas e que gostaria de se manter em análises técnicas sobre a pandemia. No entanto, disse sentir um "impacto emocional" após assistir ao vídeo.

"Não é possível ouvir uma declaração, ou um conjunto de declarações de quem quer que seja nesse momento, não estou personalizando na figura do presidente, sem sofrer um impacto quase que emocional", disse.

Ela disse que as manifestações suscitam a ideia de que ela precisa, como educadora em saúde, informar melhor. "A mim, me parece que falta informação de qualidade. Que na hora que você obtém a informação de qualidade e passa a informação de forma que a pessoa tenha condição de compreender, não é mais esse tipo de comportamento que a gente espera que aconteça. Então, a mim me dói”, afirmou. 

Infectologista

A médica afirmou que não teve contato com nenhum outro infectologista no Ministério da Saúde durante os dez dias em que trabalhou de modo informal na pasta, antes de ser dispensada. "No momento em que eu estava lá, não conheci outro infectologista", afirmou.

A médica expressou sua contrariedade em relação ao tratamento precoce com uso de medicamentos como a cloroquina contra covid-19. Para ela, a discussão "é delirante, esdrúxula. anacrônica e contraproducente".

As manifestações anteriores contra o tratamento precoce podem ter precipitado a saída dela do governo. Ela já afirmou anteriormente que "todos os estudos sérios" demonstram a ineficácia da cloroquina e que a ivermectina é "fruto da arrogância brasileira".

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