Mensaleiro petista José Dirceu critica economia e diz que País caminha para a recessão
Ex-ministro disse que data do anúncio de medidas estava mais para uma sexta-feira 13
Brasil|Do R7

O ex-ministro e preso em regime semiaberto por crimes no mensalão José Dirceu teve um texto publicado em seu blog onde critica a economia brasileira após o anúncio de medidas pelo governo nesta segunda-feira (19). O petista se referiu à data do anúncio, a segunda-feira (19), como uma sexta-feira 13, em alusão aos filmes de terror.
Dirceu diz que, com as medidas, caminhamos "para uma recessão com todas as suas implicações sociais e políticas". Ele ainda declara esperar que isto ocorra de maneira consciente por parte do governo.
O texto do político do PT foi postado pela equipe do blog, responsável pela administração e atualização da página.
"Quando a inflação cair…se cair…"
No texto, a queda da inflação, "se cair", só deve ocorrer se for pela queda "violenta" da demanda, e não pela elevação da taxa de juros. No texto, Dirceu ataca as autoridades monetárias brasileiras, pelo "silêncio" sobre a taxa Selic, de 11,75%.
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A volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) também é alvo de Dirceu no blog. Com a possibilidade de aumento dos impostos, que seriam vistos de melhor maneira do que taxações sobre os ricos e suas rendas, o governo se mantém silencioso quanto à volta desta tributação, relata o blog.
Leia abaixo a íntegra do post no blog de José Dirceu:
"Caminhamos para uma recessão. Com o governo consciente disso, esperamos
Que 2ª feira! Calor, aumento de impostos num pacotaço anunciado pelo ministro da Fazenda, de juros e queda de energia em importantes cidades do país causada pela onda de calor inédita no pais…Ontem nem parecia uma 2ª feira, estava mais para uma 6ª feira 13. Só noticias ruins.
O aumento de impostos e dos juros são apenas consequências, desdobramentos da busca de um superavit de 1,2% do PIB este ano. A elevação dos juros visa derrubar a demanda e vem casada com o aumento do IOF – Imposto sobre Operações Financeiras para os empréstimos às pessoas físicas. Aí, também refreando o consumo.
Caminhamos assim – conscientemente, espero, por parte do governo – para uma recessão com todas as suas implicações sociais e políticas. Fica evidente, empiricamente, pela prática, que o aumento dos juros não refreou a inflação cujas causas estão fora do alcance da politica monetária do Banco Central (BC), mas nos preços administrados, serviços e alimentos.
Quando a inflação cair…se cair…
Assim, quando a inflação cair – se cair… – será pela queda violenta da demanda e não pela alta dos juros. O que espanta é o silêncio de nossas autoridades sobre os efeitos da atual taxa Selic de 11,75% – o sonho de consumo do mercado financeiro -e sobre o serviço da divida interna de R$ 250 bi ao ano, ou o correspondente a 6% do PIB nacional. É a maior concentração de renda do mundo no período de um ano e para uma minoria detentora dos títulos públicos de nossa divida interna.
Como a arrecadação cairá com a recessão é preciso de novo que nossas autoridades expliquem como farão o superávit e manterão os investimentos públicos e os gastos sociais. Têm de explicar: como o pais voltará a crescer?
Fora o fato que as autoridades da área econômica diariamente criticam abertamente os bancos públicos e seu papel de vanguarda no financiamento subsidiado (porque necessário) de nossa indústria, agricultura, infraestrutura social e econômica. A pergunta que não cala é: quem os substituirá, quem continuará a desempenhar esse papel dos bancos oficiais?
Semana começa com muita apreensão sobre os rumos do País
Sobre o efeito maléfico e daninho dos juros altos na valorização do real e nas contas externas também nada, nem uma palavra… Nossa indústria que se vire. A semana começa, assim, com muita apreensão pelos caminhos do país. Mas podem ter certeza, com muita festa no mercado financeiro e nas redações de nossa mídia.
Mesmo que haja algum choro e ranger de dentes pelo aumento dos impostos, no fundo dirão, melhor assim que uma reforma tributária que taxe os ricos, o patrimônio e a renda, as fortunas e heranças e os fantásticos lucros financeiros. Isso, talvez, explique o silêncio dos responsáveis pela política econômica e pelo governo sobre a volta da CPMF ou de algum outro imposto ou tributo equivalente e que cumpra seu papel."















