Ministério da Defesa admite que País está vulnerável com espionagem americana

Celso Amorim determinou levantamento para verificar se informações militares foram obtidas

Amorim diz que há falta de investimento tecnológico no País

Amorim diz que há falta de investimento tecnológico no País

Valter Campanato/ABr

O ministro da Defesa, Celso Amorim, demonstrou preocupação, nesta quarta-feira (10), ao admitir que o País está vulnerável com a possibilidade de espionagem americana no Brasil.

Segundo o ministro, ainda não é possível saber que tipo de informação os Estados Unidos conseguiram obter, mas informou que as Forças Armadas estão realizando um levantamento para verificar se dados militares foram foco da espionagem.

— Há uma pesquisa em curso para verificar se dados de interesse militar podem ter sido obtidos. Uma resposta cabal sobre isso será difícil, mas será possível fazer uma análise.

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As declarações foram dadas durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores no Senado, convocada para debater as providências que serão adotadas depois das denúncias de espionagem americana em território brasileiro.

Amorim afirmou que as informações sigilosas são protegidas de maneira específica, mas admitiu que, se conversas foram monitoradas, o Brasil está em posição de vulnerabilidade frente a algum eventual inimigo.

— Por mais que tenhamos proteção da informação sigilosa, a mera detecção de quem se comunica com quem, com que frequência e o tipo de contato que é mantido, é uma informação de valor analítico para qualquer adversário que nós venhamos a ter fora do País.

O ministro da Defesa também destacou a necessidade de investimento tecnológico para que o Brasil seja capaz de desenvolver programas próprios de proteção de dados.

Celso Amorim lembrou que estão previstos pouco mais de R$ 100 milhões para desenvolvimento de métodos para barrar ataques cibernéticos em 2013. Segundo ele, o investimento brasileiro corresponde a 25% do total de recursos que o Reino Unido direciona para proteger informações sigilosas.