Brasil Ministro da Justiça entra com processo contra secretário de Geraldo Alckmin por caso de cartel

Ministro da Justiça entra com processo contra secretário de Geraldo Alckmin por caso de cartel

Cardozo foi chamado de "vigarista" pelo tucano José Aníbal

Cardozo disse que se não denunciasse cartel estaria prevaricando

Cardozo disse que se não denunciasse cartel estaria prevaricando

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, entrou nesta semana com processo por injúria contra o secretário de Energia de São Paulo, José Aníbal, que o chamou de "vigarista" após o vazamento da investigação da Polícia Federal sobre o cartel do Metrô em governos do PSDB. Cardozo entrou com ação penal contra Aníbal, alegando que ele cometeu crime contra a honra.

— Ele disse que eu era vigarista, acobertador de falsários, bandido e sonso. O ministro da Justiça não pode aceitar passivamente ser ofendido na sua honra, até em defesa do cargo que ocupa.

Aníbal disse que parte do relatório com a denúncia do ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer foi "adulterado" e acusou o ministro de fazer "vazamento seletivo" de informações. No último dia 4, o secretário tirou licença do governo de Geraldo Alckmin e retomou sua cadeira de deputado por um dia só para participar da sabatina do ministro no Congresso.

Na ocasião, Aníbal desafiou Cardozo a processá-lo. "Eu disse o que achava sobre o vazamento e continuo a dizer", insistiu ele no momento. Além do processo por injúria, o ministro disse que entrará com ação por danos morais contra o secretário.

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O inquérito do caso Siemens está agora no Supremo Tribunal Federal. Em depoimento sigiloso prestado à Justiça de São Paulo, como revelou o Estado, o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer citou Aníbal e outros secretários de Alckmin, como Edson Aparecido (PSDB), chefe da Casa Civil, Rodrigo Garcia (DEM), titular de Desenvolvimento Econômico, e os deputados Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Campos Machado (PTB) como destinatários da propina do cartel. Todos negam as acusações.

De acordo com a denúncia, o desvio de recursos públicos nas obras do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) atingiu os governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin. Para Aníbal, Cardozo age com o objetivo de tirar o escândalo do mensalão da pauta porque é filiado ao PT e quer tentar jogar a "lama" no colo do PSDB.

Os documentos com denúncias de corrupção envolvendo o cartel de trens e Metrô chegaram às mãos de Cardozo por intermédio do deputado estadual Simão Pedro (PT), hoje secretário de Serviços do prefeito Fernando Haddad. O presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa do Direito Econômico), Vinícius Carvalho, foi assessor de Simão Pedro antes de assumir o cargo em Brasília e, como escondeu a informação do currículo, tucanos sustentam que Cardozo planejou uma "armadilha" para incriminar o PSDB em um ano pré-eleitoral. O fato é negado pelo ministro.

— Quem quer esclarecer os fatos não politiza investigações.

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