Ministro do STF nega pedido da defesa de Temer e permite que PF questione sobre a conversa com dono da JBS

Apesar de não censurar perguntas, Fachin assegurou o direito de Temer permanecer calado

Fachin havia dado um prazo de 24 horas para que Temer responda, por escrito, perguntas depois que receber os questionamentos

Fachin havia dado um prazo de 24 horas para que Temer responda, por escrito, perguntas depois que receber os questionamentos

BBC Brasil

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin autorizou nesta quarta-feira (31) que a PF (Polícia Federal) faça questionamentos ao presidente Michel Temer a respeito da conversa gravada entre ele e o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, que fechou acordo de delação premiada.

Mais cedo, a defesa de Temer havia apresentado uma petição no inquérito a que o presidente responde para suspender o interrogatório dele até que a PF conclua uma perícia no áudio da conversa entre ambos. Alternativamente, queriam que não se fizesse perguntas a ele sobre a conversa interceptada.

Na decisão, Fachin rejeitou os pedidos dos advogados de Temer, investigado pelos crimes de obstrução de Justiça, corrupção passiva e organização criminosa.

O ministro do STF autorizou que a PF faça quaisquer perguntas ao presidente, mas assegurou o direito a ele de permanecer calado.

"Portanto, reconheço que ao requerente o direito, se assim desejar, de não responder quaisquer perguntas que lhe forem formuladas, sendo que essa opção não poderá ser interpretada contrariamente aos seus interesses, tampouco implicar em proibição à autoridade policial de formulá-las", decidiu o ministro.

Fachin havia dado um prazo de 24 horas para que Temer responda, por escrito, às perguntas da PF assim que receber os questionamentos.

O ministro tinha fixado prazo de 10 dias para que sejam concluídas as investigações do inquérito com o argumento de que há uma pessoa presa preventivamente — Roberta Funaro, a irmã do empresário Lúcio Funaro.