Ministro do TSE vai aguardar relator para decidir sobre pedido de vista em julgamento da chapa Dilma-Temer

Napoleão Nunes já sinalizou que deve pedir mais tempo de análise do processo

Ministro do TSE vai aguardar relator para decidir sobre pedido de vista em julgamento da chapa Dilma-Temer

Pedido de vista aumenta as chances de o julgamento ser concluído com uma composição do TSE diferente da atual

Pedido de vista aumenta as chances de o julgamento ser concluído com uma composição do TSE diferente da atual

José Cruz/24.nov.2015/Agência Brasil

O ministro Napoleão Nunes, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), afirmou nesta quinta-feira (30) que vai aguardar o voto do ministro Herman Benjamin para decidir se pedirá vista no julgamento da ação que pode levar à cassação do presidente Michel Temer (PMDB). O julgamento foi marcado para começar na manhã da próxima terça-feira (4).

Napoleão Nunes já sinalizou a colegas da Corte Eleitoral que deve pedir mais tempo de análise para se debruçar sobre o processo que apura se a chapa encabeçada por Dilma Rousseff (PT), de quem Temer foi vice, cometeu abuso de poder político e econômico para se reeleger em 2014.

O gabinete do ministro comunicou que ele já iniciou a leitura do relatório de 1.086 páginas apresentado por Herman Benjamin. Sobre o pedido de vista, disse que essa decisão só será "eventualmente tomada após a ouvida do voto do ilustre relator".

Com o pedido de vista, aumentam as chances de o julgamento ser concluído com uma composição do TSE diferente da atual. Os ministros Henrique Neves e Luciana Lóssio deixarão a corte eleitoral em abril e maio, respectivamente. Devem ser substituídos por Admar Gonzaga e Tarcísio Vieira. No Palácio do Planalto, a expectativa é de que os novos ministros do TSE votem contra a cassação.

Dentro do TSE, ministros já dão como certo que o julgamento não terminará na próxima semana, apesar da maratona de sessões - serão duas ordinárias e duas extraordinárias para tratar da ação.

Interrupção

Ao longo das últimas semanas, o TSE interrompeu dois julgamentos de casos menos complexos, que envolviam a cassação de chapa de governadores. Na última terça-feira (28), a Corte Eleitoral interrompeu a análise da cassação do governador de Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), e da vice-governadora Cláudia Telles (PV), depois do pedido de vista do ministro Luiz Fux.

Na semana passada, também foi suspenso o julgamento do governador do Amazonas, José Melo (PROS), que tenta reverter no TSE a cassação do seu mandato, determinada pelo TRE-AM (Tribunal Regional Eleitoral Amazonense) no ano passado. O governador é acusado de participar de um esquema de compra de votos que teria beneficiado sua reeleição na campanha de 2014.