Operação Lava Jato
Brasil Ministros do PSDB devem entregar seus cargos caso gravação envolvendo Temer seja confirmada

Ministros do PSDB devem entregar seus cargos caso gravação envolvendo Temer seja confirmada

Os 4 ministros já elaboraram cartas de demissão para entregarem após a divulgação dos áudios

Ministros do PSDB devem entregar seus cargos caso gravação envolvendo Temer seja confirmada

Dono da JBS disse ter gravado Temer dando o aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha

Dono da JBS disse ter gravado Temer dando o aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha

Ueslei Marcelino/Reuters

Deputados do PSDB defenderam nesta quinta-feira (18) que os quatro ministros do partido entreguem imediatamente os cargos assim que seja divulgado o áudio gravado pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS, no qual presidente Michel Temer supostamente dá aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O PSDB comanda atualmente quatro ministérios do governo Temer: A Secretaria de Governo, com o deputado licenciado Antonio Imbassahy (BA); Cidades, com o deputado licenciado Bruno Araújo; Relações Exteriores, com o senador licenciado Aloysio Nunes (SP); e Direitos Humanos, com Luislinda Valois.

Bruno Araújo e Aloysio Nunes são os ministros do PSDB que mais defendem a entrega dos cargos. Eles e os outros ministros já elaboraram suas cartas de demissão, para entregarem ao presidente Temer, após a divulgação dos áudios. Há, porém, possibilidade de entregarem uma carta conjunta.

Fachin autoriza abertura de inquérito contra Michel Temer

A defesa da entrega dos cargos foi feita pelo líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), e pelos deputados Nilson Leitão (MT) e Carlos Sampaio (SP). "Se os áudios forem confirmados, defendo a entrega imediata dos cargos pelos nossos ministros", afirmou Sampaio, que é vice-presidente da sigla e que deve substituir o senador Aécio Neves na presidência nacional do partido.

Eleições indiretas

Em caso de vacância, deputados do PSDB não encampam o discurso de eleições diretas, como defendem a oposição e bancadas da base aliada, como PPS e PP. "Defendemos uma saída constitucional para a substituição do presidente, caso venha a ocorrer", afirmou Carlos Sampaio.

Na Câmara, tramita uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) que, na prática, permitiria que o substituto de Temer fosse escolhido por eleições diretas. A proposta estabelece que, caso o cargo fique vago antes de seis meses para o fim do mandato, o novo presidente deve ser escolhido pelo voto popular.

Presidente da CCJ na Câmara vai avaliar pautar PEC de Eleições Diretas

Hoje, a Constituição Federal estabelece que, a partir do terceiro ano do mandato presidencial, um novo presidente da República deve ser escolhido por eleições indiretas, quando apenas deputados e senadores votam e podem escolher qualquer cidadão brasileiro.

A PEC apresentada por Miro está parada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara desde junho do ano passado, quando o deputado Esperidião Amin (PP-SC) foi escolhido relator. Amin deu parecer pela admissibilidade da proposta. Falta agora votar o parecer no colegiado.

Aprovada a constitucionalidade, a PEC será analisada por uma comissão especial, que terá até 40 sessões para julgar o mérito da proposta. Em seguida, ela poderá ser votada no plenário da Câmara. Como se trata de uma mudança constitucional, a matéria precisa passar por duas votações e, para ser aprovada, precisa ter pelo menos 308 votos favoráveis.