Moraes diz que 11 perfis no Twitter coordenam rede de fake news

De acordo com o ministro do STF, ataques ao Supremo passavam por esse endereços obrigatoriamente; grupo teria o apoio de políticos e empresários

Moraes assinou 29 mandados de busca e apreensão

Moraes assinou 29 mandados de busca e apreensão

Nelson Jr./SCO/STF - 10.09.2019

O inquérito das fake news, que apura a disseminação de notícias falsas com o objetivo de desqualificar o STF (Supremo Tribunal Federal), aponta 11 perfis no Twitter como responsáveis pela propagação de ataques aos ministros da Corte.

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O processo é relatado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Foi ele quem assinou os 29 mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal (PF), nesta quarta, contra o ex-deputado federal e presidente do PTB, Roberto Jefferson, e empresários como Luciano Hang, dono das lojas Havan, acusados de integrar a rede de sustentação do grupo que dissemina as fake news.

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"As postagens são inúmeras e reiteradas quase que diariamente. Há ainda indícios que essas postagens sejam disseminadas por intermédio de robôs para que atinjam números expressivos de leitores", diz Moraes no documento que determinou as últimas diligências, com o intuito de recolher mais provas para incriminar os envolvidos.

Segundo a investigação, feita com base em informações apuradas por uma equipe de peritos judiciais e que levou em conta depoimentos à CPMI (Comissão Parlamentar de Inquérito Mista) das Fake News, no Congresso Nacional, são estes os 11 principais disseminadores de notícias contra o Supremo:

Reprodução / STF

Passariam obrigatoriamente por todos ou por alguns desses perfis as principais hashtags e textos com acusações ou ataques aos ministros do STF. 

De acordo com Moraes, os 11 perfis foram encontrados após uma busca detalhada no Twitter de posts que, entre os dias 7 e 11 de novembro do ano passado, usaram tags que tiveram grande repercussão na rede social, entre as quais  #impeachmentgilmarmendes, #STFVergonhaNacional, #STFEscritoriodocrime, #hienasdetoga, #forastf, #lavatoga, ou as expressões STF, Supremo, Toffoli e Gilmar. 

Organização

O inquérito de Alexandre de Moraes explica como se organizariam as campanhas de difamação e agressões em massa que têm como alvo o Supremo ou outros eventuais adversários do presidente Jair Bolsonaro.

"Os perfis influenciadores iniciam os ataques selecionando um tema, por exemplo, o Impeachment de membros do STF. Nesta etapa inicial estes perfis não necessariamente utilizam uma hashtag para disseminar o ataque escolhido, valendo-se muitas vezes de seus seguidores (followers) para “criar” uma hashtag e impulsionar este ataque. Desta forma, os perfis influenciadores não apareceriam como criadores da hashtag que simboliza o ataque.

A análise do laudo entregue pelos peritos fez Alexandre de Moraes concluir que os perfis começaram a publicar conteúdo negativo e ataques ao STF, ou a seus membros, a partir de 07/11/2019. Inicialmente, sem utilizar hashtags, ou adotando a tag #STFVergonhaNacional”. 

A ação não se restringiria ao Twitter, no entanto. Espalharia de lá para o Facebook e para outros meios, como WhatsApp.

O deputado federal Heitor Freire (PSL-CE) é citado nos autos por ter lembrado  durante a investigação um dos vídeos mais famosos supostamente propagado pela equipe, no qual, na selva, Bolsonaro é cercado por diversos inimigos. 

Diz Moraes: "Dentre esses ataques coordenados, o depoente salienta a postagem quase simultânea em diversas páginas do Facebook de um vídeo ofensivo ao Supremo Tribunal Federal, comparando-o a uma hiena que deveria ser fustigada por leões."

Criminosos

O ministro diz acreditar se tratar de uma organização que vai contra a lei com o fim de desqualificar a instância máxima do Judiciário brasileiro.

"As provas colhidas e os laudos periciais apresentados nestes autos apontam para a real possibilidade de existência de uma associação criminosa, denominada nos depoimentos dos parlamentares como 'Gabinete do Ódio', dedicada a disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às Instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática."

Ele também reproduz em sua decisão parte do depoimento à CPMI da deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), que afirmou ter percebido que um dos alvos da organização era o STF: "Quando surgia alguma postagem ou hashtag ofensiva ao STF ou algum de seus membros, um dos integrantes do grupo retransmitia e em questão de minutos isso era disseminado pelas redes sociais e para inúmeros outros grupos, seja pela atuação de integrantes da organização, seja por utilização de robôs".

*Com a colaboração de Clebio Cavagnole, da Record TV Brasília