Moro diz à PF que apagava mensagens trocadas com Bolsonaro

Medida passou a ser tomada pelo ex-ministro como prevenção após hackers invadirem seu aparelho e divulgarem algumas trocas de mensagens 

Sérgio Moro, no dia que decidiu entregar o cargo de Ministro da Justiça

Sérgio Moro, no dia que decidiu entregar o cargo de Ministro da Justiça

Ueslei Marcelino/Reuters - 24.04.2020

No longo depoimento que prestou na Polícia Federal de Curitiba na última sexta-feira (2), o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro afirmou que não tem todas as mensagens trocadas com o presidente Jair Bolsonaro, pois apagava as mensagens.

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"O declarante esclarece que tem só algumas mensagens trocadas com o Presidente, e mesmo com outras pessoas, já que teve , em 2019, suas mensagens interceptadas ilegalmente por hackers, motivo pelo qual passou a apagá-las periodicamente", afirmou Moro para os delegados federais.

O ex-ministro justifica ainda que, "apagava as mensagens não por ilicitude, mas para resguardar privacidade e mesmo informações relevantes sobre a atividade que exercia, inclusive, questões de interesse nacional".

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No curso do depoimento Moro disponibilizou seu aparelho celular para que a PF extraísse as mensagens trocadas com Bolsonaro e com a Deputada Federal Carla Zambelli.

Apesar de relatar que apagava algumas mensagens, Sérgio Moro afirmou no depoimento que  "revendo o chat de conversa com o Presidente identificou várias outras mensagens que podem ser relevantes para a investigação".

Além disto, Moro afirma ainda que as mensagens disponíveis "amparam outras declarações prestadas" e citou como exemplo de que comunicava ao Presidente operações sensíveis, após deflagração pela Polícia Federal.