Moro falou à PF sobre caso Mariele e pressão para investigar Adélio

Segundo o ex-ministro, Bolsonaro queria justificar a troca do diretor-geral da PF por falhas na investigação dos casos 

Bolsonaro e Moro em evento no Palácio do Planalto

Bolsonaro e Moro em evento no Palácio do Planalto

Adriano Machado/Reuters - 18.12.2019

No depoimento que prestou na Polícia Federal de Curitiba e que veio a público nesta terça-feira (5), o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro explicou que Bolsonaro, mesmo após receber explicações detalhadas da PF (Polícia Federal) sobre o atentado a faca que sofreu em MG, tentou usar o caso para trocar o diretor-geral da instituição.

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"A Polícia Federal de Minas Gerais fez um amplo trabalho de investigação e isso foi mostrado ao presidente ainda no primeiro semestre do ano de 2019, numa reunião ocorrida no Palácio do Planalto, com a presença do declarante, do diretor Valeixo, do Superintendente [da PF] de Minas Gerais e com delegados responsáveis pelo caso, e que na ocasião, o Presidente não apresentou qualquer contrariedade em relação ao que lhe foi apresentado", afirmou Moro.

O ex-ministro explica que essa reunião foi feita com Bolsonaro na condição de vítima e que mesmo sem contestar nada na época, passou a usar a investigação do caso como um dos motivos para afastar Maurício Valeixo da direção-geral da PF.

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Moro ainda ressaltou que "a investigação sobre possíveis mandantes do crime não foi finalizada em razão de decisão judicial contrária ao exame do aparelho celular do advogado de Adélio" e que "o presidente tinha e tem pleno conhecimento desse óbice [impecilho] judicial".

Sérgio Moro ainda alegou que chegou a informar a AGU (Advocacia Geral da União) que participasse do processo para pedir o acesso ao celular do advogado do agressor de Bolsonaro.

No depoimento, Moro ainda fala sobre reclamações de Bolsonaro para esclarecer "as declarações do porteiro de seu condomínio acerca do suposto envolvimento do presidente no assassinato de Marielle e Anderson".

Segundo o ex-ministro, ele próprio pediu que o MPF (Ministério Público Federal) e que da PF no caso, que chegou a ouvir o porteiro, e que ele havia se retratado na polêmica gerada.