Brasil MPF recorre para que auxílio emergencial seja prorrogado no AM

MPF recorre para que auxílio emergencial seja prorrogado no AM

Recurso pede reconsideração de decisão do TRF-1, que suspendeu o pagamento do benefício por mais 2 meses no estado

  • Brasil | Do R7

Em dois meses, número de mortes por covid ultrapassou o do ano passado

Em dois meses, número de mortes por covid ultrapassou o do ano passado

Bruno Kelly/Reuters-13/02/2021

O Ministério Público Federal entrou com recurso pedindo a reconsideração de decisão do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), que suspendeu a prorrogação do auxílio emergencial no Amazonas. Em apenas dois meses de 2021, o número de mortes por covid-19 no estado já ultrapassou o registrado em todo o ano de 2020. Para o MPF, o fato justifica a prorrogação do auxílio.

A ação, ajuizada pela Defensoria Pública da União contra a União, teve decisão favorável do juiz da 3ª Vara Federal Cível de Manaus, em 3 de fevereiro, pela prorrogação do pagamento do auxílio emergencial em duas parcelas de R$ 300 por dois meses. A prorrogação, no entanto, foi derrubada por decisão posterior do TRF-1, a pedido da Advocacia-Geral da União, sob o entendimento de que a determinação da Justiça Federal do Amazonas interfere nas atribuições do Poder Executivo, violando enfim o princípio da separação de poderes.

No agravo interposto pelo MPF, essas alegações são contestadas. Para o órgão ministerial, o Judiciário deve intervir nas hipóteses de omissão do Poder Executivo, “seja por não definir a política a ser adotada, em desrespeito à Constituição, seja por não cumprir a política que se dispôs a executar”.

"Estão presentes os pressupostos jurídicos que justificam a prorrogação do auxílio no estado, com base no que traz a própria Medida Provisória que criou o benefício para resguardar a população mais vulnerável, no caso para amenizar as consequências da segunda onda no Amazonas", afirma. Nesse sentido, é citado o endurecimento de medidas restritivas à população amazonense, neste mês de fevereiro, como a proibição de serviços de transporte intermunicipal e o toque de recolher.

Além dos impactos sociais e econômicos que permanecem agravados, o MPF lembra o próprio colapso da saúde no estado. “Como o índice de mortes no Amazonas somente nestes dois meses do ano de 2021 ultrapassa o número de mortes por covid-19 em todo o ano passado, é evidente a existência dos mesmos pressupostos para a concessão do auxílio emergencial”, traz o recurso.

Por fim, diante das centenas de mortes diárias no Amazonas, o MPF questiona o argumento de limitações orçamentárias e impactos à economia, para o qual direitos como a saúde e a vida devem prevalecer.

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