Brasil 'MST está mais fraco pela facilitação da posse de armas', diz Bolsonaro

'MST está mais fraco pela facilitação da posse de armas', diz Bolsonaro

Presidente comentou sobre a queda de 43 registros de ocupações de terra no primeiro trimestre de 2018 para um caso no mesmo período deste ano

Bolsonaro comentou registros de ocupações no 1º trimestre

Bolsonaro comentou registros de ocupações no 1º trimestre

César Sales/Folhapress/11.04.2019

O presidente da República, Jair Bolsonaro, usou o Twitter na noite desta segunda-feira (15) para comentar sobre a queda no número de ocupações de terra no primeiro semestre de 2019. Segundo ele, a redução acontece por que a posse de armas foi facilitada pelo Governo.

Entre janeiro e março deste ano, o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) registrou apenas uma ocupação de terra no país, enquanto no mesmo período do ano passado aconteceram 43 casos registrados pelo mesmo instituto.

"Incra registra só uma ocupação no primeiro trimestre diante 43 ações no mesmo período de 2018. O MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra] está mais fraco pela facilitação da posse de armas, iniciativa que terá derivações pelo governo, falta de financiamento do setor público e de ONGs, algo que não ocorria nos governos do PT", tuitou o presidente.

O movimento de sem terra está mais fraco também pela falta de financiamento do setor público, feito por meio de convênios, de entidades e organizações não governamentais, algo que não ocorria nos governos do PT.

Neste mês, que devia ser o marco da mobilização pelo País, os sem-terra nem sequer aparecem nos relatórios da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Os dados são usados pelo governo para antever protestos.

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As atividades dos sem-terra já estavam em ligeiro declínio de 2015 para cá, segundo dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra), e acabaram ainda mais esvaziadas neste primeiro trimestre.

Marcado para começar na quarta-feira (17), o Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária terá atos limitados a marchas, comercialização de produtos agrícolas e plenárias de debates.

O abrandamento é uma decisão do MST, cuja direção nacional quer evitar conflitos com forças de segurança nos Estados e com a ala mais radical dos bolsonaristas. "Temos de esperar diminuir o tensionamento das eleições", disse João Paulo Rodrigues, da coordenação nacional do MST. "Temos de ser cautelosos."

A facilitação da posse de armas, uma das primeiras medidas de Bolsonaro, e a atuação de milícias armadas no campo preocupam os militantes.

"A criminalização dos movimentos fez com que recuassem", explica a coordenadora executiva nacional da CPT, Isolete Wichinieski. "Para ter uma luta mais efetiva, você precisa ter um número maior de pessoas num local e dar segurança para elas. Há em muitos lugares milícias formadas e consórcios de fazendeiros que estão se juntando contra as comunidades."