Brasil Na volta da folga, Dilma terá que lidar com disputa de aliados por cargos do 2º escalão

Na volta da folga, Dilma terá que lidar com disputa de aliados por cargos do 2º escalão

Presidente descansa em Aratu (BA) até a próxima quarta-feira (7), quando retorna a Brasília

Na volta da folga, Dilma terá que lidar com disputa de aliados por cargos do 2º escalão

Presidente também deverá se esforçar para impedir a reinstalação da CPI da Petrobras no Congresso Nacional

Presidente também deverá se esforçar para impedir a reinstalação da CPI da Petrobras no Congresso Nacional

Roberto Stuckert Filho/1º.01.2015/PR

Ao retornar do descanso na Bahia, na quarta-feira (7), a presidente Dilma Rousseff terá pela frente nós a desatar. Na política, terá de resolver a disputa entre aliados por cargos do segundo escalão, anunciar os novos titulares dos bancos públicos e articular a base para impedir a reinstalação da CPI da Petrobras.

Na economia, o desafio é aprovar o Orçamento de 2015 no Congresso e fazer o ajuste das contas sem sacrificar programas sociais. É uma equação difícil que já teve seu primeiro incidente neste fim de semana. Dilma mandou o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, desmentir que a regra de correção do salário mínimo mudaria.

Continuando a formação da equipe, Dilma deve nomear a ex-ministra do Planejamento Miriam Belchior (PT) para a presidência da Caixa Econômica Federal nos próximos dias. Paulo Caffarelli, que era secretário-executivo do Ministério da Fazenda, é o mais cotado para comandar o Banco do Brasil.

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A dúvida ainda reside nos nomes que substituirão Arno Augustin no Tesouro Nacional e Luciano Coutinho na presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Além de novos nomes, Dilma trabalha também num rearranjo operacional do governo. Numa tentativa de melhorar a costura política, a coordenação do governo terá agora a participação do novo ministro da Defesa, Jaques Wagner (PT).

— O fato de eu estar no Ministério da Defesa não me impede de ajudar a presidente em outras áreas, quando for requisitado.

A ideia da presidente é retomar as reuniões semanais de seu "núcleo duro" para discutir os rumos da gestão. Além de Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Wagner, os ministros Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), Pepe Vargas (Relações Institucionais) e José Eduardo Cardozo (Justiça) comporão a coordenação de governo, ao lado do vice-presidente Michel Temer.

Rossetto explicou que "há uma clara orientação da presidente para ampliarmos o diálogo com os líderes dos partidos, os movimentos sociais, os empresários e todas as representações da sociedade".

— O Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social terá papel fundamental nessa agenda de mudanças e reformas.

Rossetto não quis comentar a ameaça da oposição de criar uma nova CPI da Petrobras.

— Isso é com o Pepe Vargas.

Ele destacou, porém, que os discursos de Dilma "encerram definitivamente" as especulações sobre o futuro da Petrobras. Na cerimônia de posse para o segundo mandato, semana passada, a presidente afirmou que defenderá a estatal de "predadores internos e inimigos externos".

A Petrobras precisa publicar seu balanço ainda neste mês, sob pena de enfrentar o vencimento antecipado de contratos de financiamento. A expectativa é de que os novos números já saiam depurados das irregularidades investigadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

Comunicação

Dilma está convencida de que precisa melhorar a comunicação do governo. No fim do ano passado, ela ficou impressionada com o resultado de uma pesquisa mostrando que quase 70% dos estudantes do ProUni eram contra o Bolsa Família. Além disso, a maioria dos integrantes da nova classe média também acha que suas conquistas são fruto de esforço próprio, e não da ação do governo.

Apesar da "trombada" com Nelson Barbosa a respeito do mínimo, os debates internos sobre o ajuste fiscal deste ano deverão prosseguir nesta semana. O governo prepara medidas para aumentar a arrecadação.

Pelo lado das despesas, a previsão é de que seja necessário contingenciar gastos num montante próximo a R$ 65 bilhões. O valor, porém, só será determinado depois que o Congresso aprovar o Orçamento de 2015.

Antes de viajar para a Base Naval de Aratu, onde está descansando, Dilma comparou o Brasil de 2015 a um navio que vai enfrentar um "mar com ondas".

Ela previu que o governo enfrentará obstáculos, mas se mostrou confiante que a embarcação "não afundará". A imagem foi usada pela primeira vez por ela em dezembro, em coquetel com a equipe do primeiro mandato, e repetida a amigos na quinta-feira, dia da posse.