Coronavírus

Brasil Número de municípios sem mortes por covid cresce 48% em agosto

Número de municípios sem mortes por covid cresce 48% em agosto

Ao menos 2.500 não registraram óbitos no mês, menor nível desde dezembro de 2020 e o que equivale a 44% das cidades brasileiras

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7

Resumindo a Notícia

  • Em agosto, 2.500 municípios não registraram nenhuma morte por covid
  • A quantidade equivale a 44,88% dos 5.570 municípios brasileiros
  • É a melhor taxa desde dezembro de 2020, atrás só de novembro e do início da pandemia
  • Média de mortes diárias e casos, no entanto, continua alta e requer cuidados
Pacientes comemoram alta da covid-19 em hospital de Rio Grande do Sul

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Alex Borgmann - 29/04/2020

O número de municípios que não registrou mortes por covid-19 cresceu 48% em agosto e passou de 1.678 em julho para 2.500 no mês passado, patamar que o país não atingia desde dezembro de 2020. A quantidade equivale a 44,88% dos 5.570 municípios brasileiros. Os dados foram levantados pelo R7 e compilados pelo pesquisador Wesley Cota, da Universidade Federal de Viçosa, com base nas estatísticas do Ministério da Saúde. 

Acima da taxa de dezembro do ano passado, de 2.638, só novembro teve resultado melhor no enfrentamento à pandemia, com 3.190 municípios sem vítimas da covid. Depois destes meses, o ano de 2021 foi de altas sucessivas no número de mortes pela doença, que começaram a cair somente a partir de julho. 

Antes desta época, ainda nas primeiras semanas da pandemia, a doença ainda não havia se disseminado por todos os municípios brasileiros. Isso ocorreu a partir de julho de 2020.  

A maioria dos casos sem mortes é de cidades com menos de 50 mil moradores, entre exceções com população maior. Em agosto, o maior município com zero vítimas foi Ubatuba, no litoral de São Paulo, com população de 91 mil. No mês, o estado com mais cidades zeradas de mortes foi o de Minas Gerais, que teve 407 municípios dentro do levantamento. 

"Apesar de não termos uma porcentagem boa de vacinados com as duas doses, a gente já se pode ver o impacto da vacinação frente às formas graves e aos óbitos", explica infectologista pediátrica Claudia Maekawa Maruyama. "O isolamento está indo para um afrouxamento e na utilização das máscaras nem todos têm a usado adequadamente, então isso é resultado da vacinação."

Em relação aos locais que nem mesmo registraram casos de covid-19 durante os meses, a tendência é a mesma. A taxa é a melhor em novembro, sofrendo pioras até março. Em agosto, o patamar chega próximo ao final do ano.

No entanto, os níveis da pandemia no Brasil continuam muito altos e, somente no mês passado, mais de 20 mil pessoas perderam a vida para covid-19. A média móvel de mortes desta quarta-feira (1º), a menor do ano até agora, ainda é de 644 óbitos por dia. 

Especialistas também alertam para a variante Delta, que já tem frustrado os planos de reaberturas de outros países com cobertura vacinal maior que a do Brasil. Um estudo da healthtech Hilab prevê que, em um cenário pessimista, os próximos meses podem trazer um aumento considerável de casos no Espírito Santo, Paraná, Roraima, Santa Catarina e o Distrito Federal por causa desta mutação do novo coronavírus.

Este cenário pessimista considera como variáveis para a piora a disseminação de novas variantes, o aumento da mobilidade social e queda progressiva no uso de máscara entre os vacinados. "Os estados que sofrerão mais podem ser que cheguem a curvas equivalentes [das ondas anteriores da covid]", avisa o diretor médico da Hilab, Bernardo Almeida. 

Ele ainda argumenta que o Brasil ainda não sofreu com os efeitos da variante Delta depois de mais de três meses desde os primeiros casos devido à imunidade natural geral obtida em surtos anteriores da pandemia, que contaminaram muitos e deram anticorpos àqueles que se recuperaram.

Desde o início da pandemia, 581.150 brasileiros morreram por conta da covid-19 e outros 20,8 milhões foram infectados. 

"Somando-se à estratégia vacinal, que melhora ainda mais o perfil imunulógico da população, isso faz que a gente tenha sentido um impacto menor da Delta comparado a outros países", explica. "Este 'benefício' veio às custas de uma tragédia: a alta mortalidade que o vírus gerou."

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