Brasil "O arroz tá muito caro, Bolsonaro", diz mulher a presidente

"O arroz tá muito caro, Bolsonaro", diz mulher a presidente

Chefe do executivo foi cobrado enquanto caminhava Praça dos Três Poderes, em passeio para tirar fotos  com seus apoiadores

Agência Estado
Bolsonaro circula entre seguidores em Brasília

Bolsonaro circula entre seguidores em Brasília

DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO - 19.09.2020

O presidente Jair Bolsonaro foi cobrado neste sábado (19), pela alta no preço do arroz. "Presidente, não esquece o arroz", disse uma mulher na Praça dos Três Poderes, onde o chefe do Executivo parou para cumprimentar pessoas e tirar fotos, sem máscara, depois de ir a um evento religioso nesta manhã.

"O arroz tá muito caro, Bolsonaro", completou a mulher, que não foi identificada. "Se os problemas do Brasil... é só o arroz, tá resolvido", respondeu o presidente fazendo sinal de "joia", sem dar mais detalhes.

Debaixo de sol, o chefe do Executivo conversou brevemente com populares, usando terno e gravata, e segurando um picolé na mão esquerda. Paradas rápidas na Praça dos Três Poderes durante os finais de semana são comuns na agenda do presidente.

O pedido da apoiadora escancara a insatisfação popular com a disparada recente do preço do arroz, um dos principais componentes do prato do brasileiro. O aumento da demanda interna e externa pelo produto foi influenciado pela pandemia do novo coronavírus e refletiu em alta no preço.

Após a crítica da apoiadora ao preço do arroz, Bolsonaro encerrou a passagem pela Praça dos Três Poderes.

Tarifas. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, já avisou que, apesar dos esforços do governo em negociar com produtores e zerar tarifas de importação até dezembro, o atual patamar de preços só deve baixar mesmo a partir de 15 de janeiro, quando entrar a safra brasileira. "E tudo indica que será uma safra muito boa, pelo que estamos vendo. Teve aumento de área e deve ter de produtividade", afirmou a ministra na última quinta-feira ao participar do Estadão Live Talks, evento realizado em parceria com a Tendências Consultoria Integrada.

Na semana passada, a Câmara de Comércio Exterior (Camex), do Ministério da Economia, anunciou a redução total, até o final do ano, da alíquota de importação para uma cota de 400 mil toneladas de arroz. Em declarações recentes sobre o assunto, Bolsonaro negou a possibilidade de interferência no mercado e de tabelamento de preços.

Como o Broadcast/Estadão mostrou, de acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), órgão do Ministério da Agricultura que coordena o estoque de alimentos no País, a decisão de zerar a alíquota de importação deve ter efeito a partir do próximo mês. A expectativa é reduzir a instabilidade nos preços, que chegaram a subir mais de 100% nos últimos dias.

Aglomeração

Ao deixar a Praça dos Três Poderes, o chefe do Executivo ainda fez uma parada rápida no Palácio do Planalto. Ele permaneceu no local por pouco tempo, seguindo depois para a residência oficial, o Palácio da Alvorada. Chegando ao local, o presidente parou brevemente para cumprimentar apoiadores que o esperavam em frente ao Palácio.

Pela manhã, Bolsonaro participou da abertura de uma convenção evangélica na sede nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira, em Brasília. O evento reuniu cerca de 850 pessoas, segundo informações da organização.

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