O Brasil vermelho (de vergonha)

Circo permissivo esgotou a paciência do país e debochou da Justiça

  • Brasil | Celso Fonseca, do R7

Grupo arranca portão e a Justiça espera

Grupo arranca portão e a Justiça espera

Werther Santana/Estadão Conteúdo

O juiz Sérgio Moro determinou no final da tarde de quinta-feira (05) que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 anos de prisão, se apresentasse até as 17h de sexta-feira (06) na superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Um prazo de elástica tolerância de 24 horas, considerando-se que o deslocamento em um voo dura pouco mais de uma hora. Às 18 horas do sábado (7), Lula ainda permanecia na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, esgotando a paciência do país que acompanhava o desenrolar de um circo permissivo, de escárnio à Justiça e desobediência ao estado democrático. Criou-se uma inaceitável teatro de absurdo, onde a irresponsabilidade reinou impune. 

Lula está no sindicato dos Metalúrgicos desde o início da noite de quinta-feira. O prazo esgotou-se a mais de 25 horas e o picadeiro segue inflamado. Enquanto a Polícia Federal o aguardava, Lula confraternizou com seus pares, fez churrasco, riu, chorou, recebeu abraços, participou de um ato em homenagem a ex-mulher Marisa Letícia, fez um comício com a habitual ferocidade, almoçou uma feijoada. Do outro lado, um contingente de agentes federais e dinheiro público ficavam à espera do petista.

Em acordo com a PF, prometeu sair às 16h30. Os carros da corporação o aguardavam em uma rua próxima. O ex-presidente entrou no carro de seu advogado e foi supostamente impedido de sair por supostos manifestantes. Em cena digna de teatro burlesco, um grupo arrancou o portão automático do trilho, aglomerou-se na saída da garagem e, voilá, o esperado aconteceu – Lula voltou para dentro. Uma humilhação para a Polícia Federal e para Justiça brasileira. Um grupo de baderneiros deixou o País envergonhado, mais uma vez.

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