Oncologista, Teich tinha missão de equilibrar isolamento e economia

Escolhido para assumir o lugar de Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), empresário do setor da saúde pediu demissão nesta sexta-feira (15)

Ex-ministro Nelson Teich pede demissão por discordâncias com Bolsonaro

Ex-ministro Nelson Teich pede demissão por discordâncias com Bolsonaro

José Dias / PR / 27.04.2020

O oncologista e empresário do setor da saúde Nelson Teich, então ministro da Saúde, que pediu demissão nesta sexta-feira (15), chegou ao Ministério da Saúde para substituir Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), demitido após discordar do posicionamento do presidente Jair Bolsonaro, sobretudo, sobre políticas de isolamento social. Ele deixa a função em meio à pandemia do coronavírus, antes de completar um mês à frente da pasta. 

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Nascido no Rio de Janeiro, o médico se formou pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), em 1980, e se especializou em oncologia no Instituto Nacional de Câncer (Inca). Atualmente, é sócio da Teich Health Care, uma consultoria de serviços médicos.

Embora tenha sido escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para equilibrar temas como o isolamento social e os rumos da economia em meio à crise, Teich afirmou, desde sua primeira fala como ministro, que não haveria mudanças radicais na política adotada até aquele momento por seu antecessor.

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Em pronunciamentos e coletivas de imprensa, ele afirmava que tomaria decisões com base em critérios técnicos. "Não vai haver qualquer definição brusca ou radical do que vai acontecer. O que é fundamental hoje é que tenhamos mais informações sobre o que acontece com as pessoas com cada ação tomada", disse. No entanto, ainda durante o primeiro discurso no Ministério da Sáude, disse existir um alinhamento completo entre ele e Bolsonaro. 

Teich reforçou ainda, na ocasião, a importância de trabalhar com base em uma "área de dados e de inteligência" para as ações adotadas e de se fazer um "programa" robusto de testes para coronavírus.

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"Quando se tem muita incerteza, colher dados é fundamental. Temos que entender mais da doença. Quanto mais fizermos isso, maior vai ser nossa capacidadade de administrar o momento, planejar o futuro e sair da política de isolamento, porque isso é fundamental. As pessoas vão ter muita dificuldade em se isolar", disse.

O que escreveu sobre o coronavírus

Nas semanas que antecederam sua chegada ao Ministério da Saúde, o médico publicou artigos em redes sociais profissionais sobre o coronavírus. Em um deles, comentou sobre a polarização do país no momento de enfrentamento do vírus.

"A discussão sobre as estratégias e ações que foram definidas por governos, incluindo o brasileiro, para controlar a pandemia de covid-19 mostra uma polarização cada vez maior, colocando frente a frente diferentes visões dos possíveis benefícios e riscos que o isolamento, o confinamento e o fechamento de empresas e negócios podem gerar para a sociedade", escreveu.

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"É como se existisse um grupo focando nas pessoas e na saúde e outro no mercado, nas empresas e no dinheiro, mas essa abordagem dividida, antagônica e talvez radical não é aquela que mais vai ajudar a sociedade a passar por esse problema", afirmou.

Onde atuou e trabalhou

Em 2018, Nelson Teich atuou como consultor informal na campanha eleitoral de Bolsonaro. Neste período, chegou a ser cotado, mas Mandetta acabou sendo escolhido para ocupar o cargo. 

Entre setembro de 2019 e janeiro de 2020, Teich participou do governo como assessor de Denizar Vianna, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Ambos foram sócios no MDI Instituto de Educação e Pesquisa. 

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Em 1990, fundou o Grupo Clínicas Oncológicas Integradas (COI), atuando como presidente até 2018. Ele também foi fundador e presidente (pró-bono) do COI Instituto de Gestão, Educação e Pesquisa, organização sem fins lucrativos criada em 2009. 

Entre 2010 e 2011, Teich prestou consultoria nesta área no Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.