Operação Lava Jato
Brasil Palocci incrimina Lula em ação sobre propinas da Odebrecht

Palocci incrimina Lula em ação sobre propinas da Odebrecht

Ex-ministro também confessou ser o "italiano" das planilhas da construtora

Palocci incrimina Lula em ação sobre propinas da Odebrecht

Lula volta a ser citado, desta vez por braço direito

Lula volta a ser citado, desta vez por braço direito

Ueslei Marcelino/Reuters

O ex-ministro Antonio Palocci (fazenda/Casa Civil - Governos Lula e Dilma) incriminou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao dizer que o petista tinha conhecimento do "pacto de sangue" firmado entre o PT e a construtora no pagamento e recebimento de propinas.

Palocci prestou depoimento nesta quarta-feira (6), perante o juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, base da Operação Lava Jato.

Nesta ação, Lula é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro sobre contratos entre a Odebrecht e a Petrobras.

"No jantar ocorrido no apartamento do presidente Lula, em que participaram todas essas pessoas, o ex-ministro Palocci os convenceu e os dissuadiu no sentido de que essa operação era escandalosa e que poderia expor demais essa situação. Ficou clara toda a participação do ex-presidente Lula", afirmou o advogado Adriano Bretas, que defende Palocci.

Antonio Palocci também confessou que o codinome "italiano", presente nas planilhas da Odebrecht, é atribuído a ele. O ex-ministro ainda revelou ter praticados crimes na Petrobras e disse que operou a conta "amigo".

Palocci: relação dos governos Lula e Dilma com Odebrecht foi 'movida' a propina

Ouvido como réu em um processo criminal da Operação Lava Jato, o petista citou R$ 300 milhões da Odebrecht para o esquema do Partido dos Trabalhadores.

Durante duas horas, Palocci afirmou que está negociando um acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato, mas que colaboraria com a Justiça de forma espontânea.

O Ministério Público Federal aponta que propinas pagas pela empreiteira chegaram a R$ 75 milhões em oito contratos com a estatal. Este montante, segundo a força-tarefa da Lava Jato, inclui um terreno de R$ 12,5 milhões para Instituto Lula e cobertura vizinha à residência de Lula em São Bernardo de R$ 504 mil.

No depoimento, Palocci relata que ajudou a operar a negociação para compra do terreno do instituto do ex-presidente após ter sido procurado pelo percuarista José Carlos Bumlai. 

Além do ex-presidente, também respondem ao processo o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma), seu ex-assessor Branislav Kontic, o advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, o empreiteiro Marcelo Odebrecht e outros três investigados.

Outro lado

Em nota, a defesa do ex-presidente Lula diz que Palocci mudou seu depoimento em busca de assinar um acordo de delação premiada. "O depoimento de Palocci é contraditório com outros depoimentos de testemunhas, réus, delatores da Odebrecht e com as provas apresentadas. [...] Preso e sob pressão, Palocci negocia com o MP acordo de delação que exige que se justifiquem acusações falsas e sem provas contra Lula", afirma Cristiano Zanin Martins.

De acordo com Martins, o ex-ministro "repete o papel" do dono da construtora OAS, Léo Pinheiro, e do ex-senador Delcídio do Amaral, "de validar, sem provas, as acusações do MP para obter redução de pena". Para o advogado, Palocci compareceu ao depoimento "para emitir frases e expressões de efeito" que, segundo ele, foram "anotadas em papéis usados na audiência".

"Após cumprirem este papel, delações informais de Delcídio e Léo Pinheiro foram desacreditadas, inclusive pelo MP [Ministério Público]", diz a defesa.

"Com informações de Marc Souza, repórter da Record TV