Brasil Parlamentares acusados de corrupção devem comandar Congresso pelos próximos dois anos

Parlamentares acusados de corrupção devem comandar Congresso pelos próximos dois anos

Senado elege hoje novo presidente. Favorito ao cargo pode responder a processo no STF 

Parlamentares acusados de corrupção devem comandar Congresso pelos próximos dois anos

Seis anos depois, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao centro, deve ganhar novamente eleição para a Presidência do Senado

Seis anos depois, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao centro, deve ganhar novamente eleição para a Presidência do Senado

Wilson Dias/27.03.2012/ABr

Mesmo envolvidos em denúncias de corrupção e com a possibilidade de serem investigados pelo STF (Supremo Tribunal Federal), os candidatos que têm apoio oficial do Planalto e da base governista devem ser confirmados na presidência das Casas que compõem o Congresso — Câmara dos Deputados e Senado Federal.

É o caso de Renan Calheiros (PMDB-AL), que deve ser eleito nesta sexta-feira (1º) presidente do Senado. Depois de seis anos, o senador deve voltar ao cargo após renunciar à presidência da Casa, em 2007, para colocar fim à crise iniciada com denúncias de que suas contas pessoais eram pagas com dinheiro de propina de lobistas.

Na época, vieram à tona acusações de que a jornalista Mônica Veloso, com quem Renan tem uma filha, recebia pensão de R$ 16,5 mil do senador. Com o salário de R$ 12,7 mil, Renan Calheiros alegou que a despesa era paga com dinheiro de sua renda complementar, obtida por meio de negociações agropecuárias.

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O senador apresentou notas fiscais para comprovar vendas de cabeças de gado e justificar seus rendimentos, negando qualquer tipo de envolvimento com lobistas.

No entanto, a uma semana da eleição no Senado, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, apresentou denúncia ao STF afirmando que as notas são falsas.

O cientista político da UnB (Universidade de Brasília), David Fleischer, avalia que mesmo após a acusação do MPF (Ministério Público Federal), Renan deve ser confirmado no cargo de presidente do Senado.

Para o especialista, os parlamentares não estão preocupados com a imagem do Congresso.

— Eles não se preocupam com a imagem manchada, só se preocupam com a mais valia que eles podem tirar, as nomeações, as emendas parlamentares. É nisso que o parlamentar está mais interessado.

Câmara dos Deputados

Na Câmara dos Deputados, a situação é semelhante. O candidato favorito, que tem apoio oficial da base governista, também está envolvido em acusações de corrupção.

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) é líder do PMDB e deputado há 42 anos. Em seu 11º mandato, Henrique Alves é alvo de denúncias sobre irregularidades na contratação de veículos em seu gabinete e suposto favorecimento em emendas parlamentares.

De acordo com as denúncias, o deputado alugou carros de uma empresa do Distrito Federal, supostamente registrada em nome de um laranja. A suspeita é que Henrique Alves teria relações com a empresa, associada com um ex-assessor de seu partido.

Além disso, algumas de suas emendas teriam beneficiado seu assessor na Câmara, Aluizio Dutra de Almeida — dono de uma empresa que realizou, pelo menos, três obras financiadas por emendas do deputado que custaram cerca de R$ 1,2 milhão.

Henrique Alves negou todas as acusações e prosseguiu a sua campanha para presidência da Câmara normalmente.

Para o cientista político da UnB, somente se estourar uma “bomba” na imprensa a candidatura de Henrique Alves ficaria ameaçada. Segundo David Fleischer, as denúncias que vieram à tona até agora não abalam o favoritismo do deputado.

— Isso deixa a imagem do Congresso mais manchada do que já é. Para o Congresso é um marco negativo, mas eu não tenho nenhuma dúvida de que ele será eleito.

A eleição para presidência da Câmara está marcada para a próxima segunda-feira (4).