Bolsa Família

Brasil Participação do Rio no Bolsa Família é a que mais cresce no país

Participação do Rio no Bolsa Família é a que mais cresce no país

Estado recebeu R$ 632 milhões até abril, 11% mais do que no mesmo período do ano passado; veja valores por Estado

  • Brasil | Márcio Pinho, do R7

Cartão do programa Bolsa Família; Rio foi o estado que cresceu em repasses

Cartão do programa Bolsa Família; Rio foi o estado que cresceu em repasses

Jefferson Rudy/Agência Senado

O Rio de Janeiro foi o Estado que mais ganhou novos recursos do Bolsa Família em 2019, segundo dados do Portal da Transparência do governo federal tabulados pelo R7. Foram R$ 632 milhões nos primeiros quatro meses de 2019, 11% mais que os R$ 569 milhões do mesmo período do ano passado.

O valor é significativo considerando que em todo o país o crescimento foi de 5,2% — percentual que praticamente reflete o reajuste de 5,7% concedido pelo governo de Michel Temer no valor do benefício em junho do ano passado.

Para Marcelo Neri, pesquisador do FGV Social, o avanço do Bolsa Família no Rio de Janeiro mostra que as famílias estão mais pobres. “A pobreza está aumentando bastante no Rio de Janeiro por causa da crise e mais famílias passam a ter renda compatível com a concessão do benefício”, afirma.

O benefício básico do programa é de R$ 89 mensais, pago a famílias que têm exatamente esse valor – R$ 89 -  como renda mensal por pessoa. Famílias com renda de R$ 178 também se enquadram no programa e recebem valores variáveis conforme critérios como número de crianças e presença de mulheres grávidas.

Estados

Mesmo com o aumento dos valores neste ano, o Rio de Janeiro ainda ocupa a oitava posição na lista de estados que mais recebem recursos do Bolsa Família – o primeiro é a Bahia.

Algumas características do Rio de Janeiro sempre dificultaram a entrada do Bolsa Família, como pobreza menor em relação a outros estados e população mais idosa – já que a presença de crianças e adolescentes é condição para ter o benefício.

O avanço do desemprego, porém, influencia diretamente esse cenário. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 1,3 milhão de pessoas estavam desempregadas no primeiro trimestre do ano no estado – o equivalente a 13,5% da população. É o recorde em números absolutos em toda a série histórica, iniciada em 2012.

Saiba mais: Governo corre risco de ficar sem dinheiro para Bolsa Família

Para Marcelo Neri, o fim de programas sociais como o Renda Melhor, do governo estadual, também propicia uma migração para o Bolsa Família. “Está ocorrendo uma normalização, um ajuste que era esperado”, avalia.

Bahia lidera repasses e Rio cresce mais de 11%

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Arte/R7

Capital do petróleo

Um exemplo de crescimento do Bolsa Família é a cidade de Macaé, a que teve o maior aumento de recursos em 2019 no Rio de Janeiro – cerca de 50% - passando a receber cerca de R$ 8 milhões entre janeiro e abril.

O município conhecido como a “capital do petróleo” viu parte de suas vagas de emprego fecharem em razão da queda no preço do barril e das retrações na Petrobrás como consequência dos escândalos da Operação Lava Jato. A Praça Veríssimo de Melo, no Centro da cidade, por exemplo, passou a ser conhecida informalmente como “A Praça dos Desempregados”.

A Prefeitura de Macaé confirma que vem intensificando o registro das famílias em situação de pobreza e extrema pobreza no Cadastro Único. A análise é feita pelo Ministério da Cidadania, que administra o programa.

Sobre o crescimento do Rio de Janeiro nos repasses de recursos, o ministério afirma que os pagamentos no país têm oscilações mensais em virtude do ingresso e saída de famílias.

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