Brasil Partidos flertam com discurso direitista para 2014

Partidos flertam com discurso direitista para 2014

PRTB terá candidatos militares e PSC estuda reforçar posição conservadora de olho nas urnas

Partidos flertam com discurso direitista para 2014

Analistas: discurso segmentado limita atuação de direitistas

Analistas: discurso segmentado limita atuação de direitistas

Alexandra Martins / Câmara dos Deputados

Em busca de atenção nas próximas eleições, partidos como PRTB e PSC miram o público conservador em 2014. Enquanto o PRTB pretende lançar candidaturas de militares pelo ainda sem registro PMB (Partido Militar Brasileiro), o PSC, que ganhou mais espaço com as polêmicas do deputado Marco Feliciano (SP), estuda se posicionar mais claramente como partido conservador. Cientistas políticos ouvidos pelo R7 alertam, contudo, para os limites da estratégia.

Para o cientista político Leonardo Barreto, sócio da DGA Consultores Associados, o primeiro problema está em definir o que é um brasileiro de direita.

— A grande questão é que as pessoas são contraditórias em seus valores. A mesma pessoa pode apoiar a pena de morte, que seria de direta, mas apoiar o Bolsa Família, um programa de bem-estar social de esquerda; pode ser a favor da redução da maioridade penal e, ao mesmo tempo, ser a favor de que o Estado regule a economia.

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Doutor em ciência política pela UnB (Universidade de Brasília), Barreto destaca pesquisas recentes que indicam a existência de uma população conservadora expressiva no País, mas diz que os partidos têm dificuldade para se comunicar com essas pessoas.

— Normalmente esses políticos estão traduzindo a questão de valores de direta com discursos muito segmentados, muito voltados para nichos. O partido é de direita, mas também é evangélico, então não pega a classe média católica de direita.

Em outro caso, diz o especialista, o partido pode ser voltado para a família, mas vem com discurso homofóbico, deixando de fora um conjunto de eleitores que se identificam com questões meritocráticas, mas que não têm nada contra os gays.

Presidência

Para João Feres Júnior, professor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), o resultado disso é que, nas eleições majoritárias, como para presidente ou governador, as chances de candidatos de direita são mínimas no Brasil.

— Claro que é sempre possível que um candidato com uma agenda cripto-neoliberal, ou seja, neoliberal disfarçada por uma retórica populista, vença uma eleição para governador ou mesmo senador. Já para presidente da República, é muito difícil, pois o atual governo detém o discurso de defesa de políticas de alcance popular, o que faz a concorrência com ele pelos votos de esquerda muito difícil.

O professor da UERJ lembra que a direita brasileira ainda está identificada com regimes autoritários, militarismo e falta de solidariedade social. Segundo ele, os conservadores não têm tido muita presença no discurso público brasileiro desde a redemocratização.

— À medida que o tempo passa, contudo, as memórias da ditadura vão se esvanecendo, e o Brasil vai se tornando um País menos pobre, ou, como querem alguns, de classe média, e o espaço potencial para a direita naturalmente aumenta.

Deputados

A mudança econômica e a amplitude que vêm ganhando colunistas conservadores no País, segundo o cientista político, deixam espaço para esse tipo de discurso crescer em votações para Assembleias e Câmaras de deputados no próximo ano.

— Eles têm plenas condições de eleger parlamentares para as assembleias legislativas dos Estados e para a Câmara dos Deputados, como, por sinal, já o fazem, ainda que de maneira tímida. Se não aumentar, esses grupos tendem, no futuro, a pelo menos a adquirir maior visibilidade pública.