Paulinho da Força é alvo de buscas em ação da Lava Jato

Ação investiga doação eleitoral irregular de R$ 1,7 milhão ao deputado nas campanhas de 2010 e 2012. Parlamentar diz desconhecer os fatos

Operação foi batizada de Dark Side

Operação foi batizada de Dark Side

Gustavo Lima / Câmara dos Deputados

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) é alvo de mandados de busca e apreensão em operação da PF (Polícia Federal) no âmbito da Lava Jato. A ação, deflagrada nesta terça-feira (14), investiga crime eleitoral.

Em nota, o parlamentar afirmou que "desconhece os fatos apurados" e diz que, se houver relação com suposto caixa dois dos anos de 2010 e 2012, já são 10 anos dos fatos apontados e que "os fatos não possuem nenhum fundamento" (leia abaixo na íntegra).

A PF cumpre mandados em dois endereços ligados a Paulinho da Força: o apartamento funcional em Brasília e o gabinete do parlamentar na Câmara dos Deputados. 

Ao todo, as autoridades cumprem sete mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP) e Brasília (DF). Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, um dos mandados é cumprido na sede da Força Sindical, em São Paulo. 

Batizada de Dark Side, está é a primeira fase da operação Lava Jato junto à Justiça Eleitoral de São Paulo. Além dos mandados, a justiça pediu o bloqueio de contas bancárias e imóveis dos investigados. 

As autoridades constataram a existência de indícios do recebimento de doação eleitoral não contabilizada por parlamentar federal, de maneira dissimulada, durante as campanhas dos anos de 2010 e 2012, no valor total de R$ 1,7 milhão. 

Segundo a PF, os "pagamentos teriam ocorrido por meio da simulação da prestação de serviços advocatícios e também mediante o pagamento de valores em espécie, contando para isso com doleiros contratados pelo referido grupo".

Um escritório de advocacia tinha como sócio o genro do parlamentar e o local realizava a simulação da prestação de serviço. Com a quebra do sigilo bancário do referido escritório, foi identificada também a transferência de valores próximos à eleição de 2012, vindos de uma entidade sindical relacionada ao parlamentar investigado e não declarada em sua campanha.

As investigações também apontam operações financeiras que se enquadram no crime de lavagem de dinheiro. 

Leia a nota do deputado Paulinho da Força na íntegra:

"O deputado Paulo Pereira da Silva foi alvo de mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Eleitoral de São Paulo.

O parlamentar desconhece os fatos apurados e está tomando ciência da apuração pela imprensa na medida em que sequer lhe foi fornecida cópia da decisão que autorizou as buscas.

Caso os mandados digam de fato respeito a alegado caixa dois dos anos de 2010 e 2012, a partir da delação da JBS, conforme notícias veiculadas, o deputado lamenta o ocorrido na data de hoje tendo em vista que já são passados 10 anos desde os fatos apontados, sendo que suas contas das eleições de 2010 e 2012 foram aprovadas regularmente pela Justiça Eleitoral.

Por fim, o parlamentar confia que a apuração chegará à conclusão de que os fatos trazidos não possuem nenhum fundamento."

Veja imagens da ação da PF no gabinete de Paulinho da Força: