Novo Coronavírus

Brasil Pazuello anuncia contrato com 138 mi de doses da Janssen e Pfizer 

Pazuello anuncia contrato com 138 mi de doses da Janssen e Pfizer 

Doses devem chegar de forma escalonada até novembro de 2021. Previsão é de entrega de 13,5 milhões de vacinas até junho

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7*, com informações de Thiago Nolasco

Resumindo a Notícia

  • Das 138 milhões de doses, 100 mi chegarão da Pfizer e outras 38 mi da Janssen
  • Pfizer fará entrega de suas doses de abril até setembro deste ano
  • Janssen enviará 16,9 mi de vacinas até 31 de agosto, somadas a 21,1 mi até novembro de 2021
  • Total de vacinas previstas até o final do ano é de 562 mi
Pazuello também admitiu que Bolsonaro já avalia sua troca no comando do Ministério

Pazuello também admitiu que Bolsonaro já avalia sua troca no comando do Ministério

WALLACE MARTINS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO - 15/03/2021

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello anunciou nesta segunda-feira (15) a assinatura do contrato com a Janssen e a Pfizer para a aquisição de vacinas contra a covid-19, o que deve garantir 138 milhões de doses ao Brasil até novembro de 2021.

As doses vão chegar de forma escalonada, de abril até novembro deste ano. Serão 100 milhões de doses da Pfizer e outras 38 milhões da Janssen. 

De acordo com o cronograma de vacinação apresentado pelo ministro, as 100 milhões de doses da vacina da Pfizer serão entregues de abril até o dia 30 de setembro, no seguinte esquema: 1 milhão em abril, 2,5 mi em maio, 10 mi em junho e em julho, 30 mi em agosto e outras 46,5 mi de doses em setembro. 

Ainda de acordo com o cronograma, o Brasil tem 562,9 milhões de doses previstas até o fim do ano, somando todas as remessas entregues desde janeiro, pelo Instituto Butantan (Coronavac) e Fiocruz (Astrazeneca-Oxford), junto às vacinas de outros laboratórios que já foram compradas ou estão em tratativas. 

As outras doses que se somam à previsão são as da Covaxin e Sputnik V, estipuladas para chegarem ao Brasil a partir de março. Sob pressão pelo atraso na vacinação, o ministro já se adiantou a possíveis mudanças no cronograma, que têm gerado cobranças do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.

"O cronograma é para ser alterado, quando a farmacêutica não entrega, quando a linha de produção para, quando acontece qualquer dificuldade na legalização da doses. Quanto mais estivermos no começo do ano e do processo, mais alterações podem acontecer", afirmou.   

Pazuello também admitiu que pode ser demitido nos próximos dias, caso seja a decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

"O ministro da saúde será substituído? Provavelmente sim, um dia. Mas não estou doente e nós não vamos parar nem um minuto. Não paramos ontem, hoje e nem pararemos amanhã. Todos os meus interlocutores estão focados na missão e vão continuar", disse. 

Ele porém garantiu que não pedirá demissão ou deixará o cargo por iniciativa própria: "eu não vou pedir para ir embora. Isso não é uma brincadeira. Isso é sério, é uma pandemia".

Troca no ministério


Em busca de substitutos a Pazuello, o presidente Jair Bolsonaro se reuniu nesta segunda (15)  com Marcelo Queiroga, presidente da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia). O médico é um dos cotados para assumir o Ministério da Saúde após a recusa da médica cardiologista Ludhmila Hajjar.

Ludhmila havia sido uma das indicadas pelo Centrão e chegou a se encontrar com Bolsonaro no domingo. Ela porém, foi bombardeada pelas rede sociais e por seguidores do presidente, que encaminharam diretamente ao núcleo de poder do Planalto gravações em áudio e também vídeos em que a cardiologista critica a ação federal frente à pandemia.

Além de Queiroga, José Antonio Franchini Ramires, professor titular do Instituto do Coração (Incor) de São Paulo, é cotado para o cargo, ocupado atualmente pelo general Eduardo Pazuello.

Queiroga tem bom trânsito em Brasília e no governo, tendo sido convidado este ano para integrar a direção da Agência Nacional de Saúde Suplementar, a ANS. Já Ramires teria sido indicado ao presidente por sua ala ideológica.

A médica já sinalizou ser favorável ao distanciamento social, ao uso constante de máscara facial e suspensões de atividades econômicas para frear a disseminação do novo coronavírus.

Veja o perfil dos candidatos

Marcelo Queiroga é graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Paraíba. É especialista em cardiologia e tem doutorado em Bioética pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto/Portugal. Atualmente, dirige o departamento de hemodinâmica e cardiologia intervencionista (Cardiocenter) do Hospital Alberto Urquiza Wanderley (Unimed João Pessoa) e é médico cardiologista intervencionista no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, também na Paraíba.

Atuou como dirigente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, na qual já exerceu a presidência no biênio 2012/2013, sendo membro permanente do seu Conselho Consultivo. Integra ainda o Conselho Regional de Medicina do Estado da Paraíba como Conselheiro Titular.

Assim como Ludhmila Hajjar, Marcelo Queiroga defende o isolamento social como forma de combate à pandemia. Ele também já se posicionou contrário ao "tratamento precoce" defendido por Bolsonaro à base de cloroquina, medicamento sem comprovação científica para covid-19.

De perfil técnico, Queiroga atuou na equipe de transição do governo de Michel Temer para Bolsonaro no fim de 2018. Em setembro do ano passado, encontrou-se com o presidente no Planalto e chegou a postar uma foto com ele.

José Antonio Franchini Ramires é mestre e doutor em Cardiologia. Já foi diretor do Incor e atualmente é professor titular do instituto. Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo em 1972, já publicou artigos sobre a relação da covid-19 e o coração. É ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

*Com informações da Agência Estado

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