Operação Lava Jato
Brasil Pecuarista confessa empréstimo de R$ 12 milhões para o PT

Pecuarista confessa empréstimo de R$ 12 milhões para o PT

Em troca do valor, o Grupo Schahin ganhou um contrato de US$ 1,6 bi para operar navio-sonda

Pecuarista confessa empréstimo de R$ 12 milhões para o PT

Bumlai revelou a farsa em depoimento de mais de 6 horas

Bumlai revelou a farsa em depoimento de mais de 6 horas

Valter Campanato/1º.12.2015/Agência Brasil

Em depoimento de mais de 6 horas à PF (Polícia Federal), o empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, confessou a farsa dos embriões na operação fraudulenta para quitar o empréstimo de R$ 12 milhões com o Banco Schahin destinado ao PT.

Na declaração, ele confessa que nunca houve a entrega de quaisquer embriões para as fazendas do Grupo Schahin.

O amigo de Lula está preso em Curitiba desde 24 de novembro, quando foi capturado na Operação Passe Livre, desdobramento da Lava Jato. Bumlai é o protagonista de uma transação financeira que se transformou em um pesadelo para o PT.

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Em troca da concessão dos R$ 12 milhões, o Grupo Schahin teria ganho contrato de US$ 1,6 bilhão para operar o navio-sonda Vitoria 10000, da Petrobrás. Segundo Bumlai, o dinheiro foi repassado para o PT.

Bumlai havia declarado em um primeiro momento que uma operação de dação de "embriões de gado de elite" para agropecuárias do Grupo Schahin foi a saída para quitação formal do empréstimo de R$ 12 milhões realizado em 2004. No depoimento desta segunda, ele revelou a farsa.

— Acreditava que com a assinatura do contrato [com a Petrobrás] a Schahin quitaria sua dívida; que, passado mais um tempo, o interrogando foi procurado por um advogado da Schahin, cujo nome não se lembra, para articular uma forma de quitar a dívida; que o advogado esclareceu que havia necessidade em se simular uma operação que envolvesse bens móveis; que os únicos bens móveis que o interrogando poderia fornecer seriam embriões bovinos. [...] Toda a materialização da operação de venda de embriões foi executada pela Schahin, competindo ao interrogando apenas a emissão das notas fiscais, por causa da localidade dos embriões — Campo Grande/MS; que a operação envolvendo os embriões não demandava o pagamento de ICMS; que dentre os papéis produzidos para a quitação da dívida, recorda-se da existência de um instrumento de confissão de dívida de cerca de sessenta milhões de reais; que tal documento causou estranheza ao interrogando; que este documento foi encaminhado pelo advogado da Schahin ao advogado do interrogando que não tinha ciência de que toda a operação de quitação do empréstimo era simulada.

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