PF cumpre 90 mandados em quatro Estados em nova fase da Lava Jato

Agentes buscam prender 22 pessoas em ação que investiga o superfaturamento de obra da nova sede da Petrobras em Salvador (BA)

Ação investiga superfaturamento em obra da Petrobras

Ação investiga superfaturamento em obra da Petrobras

Marcelo Goncalves/Sigmapress/Estadão Conteúdo – 23.11.2018

A PF (Polícia Federal) iniciou a operação Sem Fundos na manhã desta sexta-feira (23), a 56ª fase da operação Lava Jato.

As autoridades cumprem 68 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão preventiva e 14 mandados de prisão temporária, que totalizam 90 mandados, nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. 

A ação investiga o suposto superfaturamento na construção de edificações destinados à instalação da nova sede da Petrobras em Salvador (BA), chamada de Torre Pituba, entre 2009 e 2016. 

Segundo a PF, "os contratos de gerenciamento da construção, de elaboração de projetos de arquitetura e de engenharia foram superfaturados e direcionados para viabilizar o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras e dirigentes da Petros, além de terceiros". 

A Petros se comprometeu em realizar a obra, enquanto a Petrobras alugaria o prédio pelo período de 30 anos.

O valor da construção ficou acima do esperado, assim como o aluguel que seria pago no local. Parte dos recursos seriam direcionados para pagamento de propina. 

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), os integrantes da Petrobras e da Petros passaram a realizar as fraudes em troca de propina, "inclusive para o Partido dos Trabalhadores (PT)". 

As investigações apontam o envolvimento de uma empresa ligada a outras duas empreiteiras já envolvidas na Lava Jato. 

As autoridades investigam os crimes de corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta de fundo de pensão, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As penas somadas podem chegar a 50 anos de prisão e multa. 

Os presos serão encaminhados para a Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR).

A operação foi batizada como "Sem Fundos" em referência à perda do Fundo de Pensão da Petrobras, assim como ao fato de os crimes investigados parecerem revelar um “saco sem fundos”.