PF faz operação no RS para reprimir atuação de empresários em greve

Empresário foi preso de forma preventiva em Xangri-lá por apoiar a greve, prática conhecida com locaute e que é proibida por lei

Forças do Exército garantem fluxo no Porto de Santos

Forças do Exército garantem fluxo no Porto de Santos

MARCO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Federal realiza nesta quinta-feira (31) operação no Rio Grande do Sul para reprimir a atuação de empresários de transporte na promoção de paralisações no âmbito da greve dos caminhoneiros. Os agentes cumprem mandados de busca e apreensão e de prisão em cidades do Estado.

A realização de greves ou paralisações por empresários, prática conhecida como locaute, é proibida pela legislação. A operação da PF, que ganhou o nome Unlocked, ocorreu a partir de inquérito que investigou a participação de integrantes de transportadoras em bloqueios nas rodovias BR 116, RS 122 e RS 452.

A PF apurou que um administrador de uma grande transportadora estaria ameaçando caminhoneiros para que não fizessem o transporte e para que abandonassem os veículos em postos. Essas práticas estariam enquadradas nos crimes de atentado contra liberdade ao trabalho e associação criminosa.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão nas cidades de Vila Real e Caixas do Sul, a cerca de 100 quilômetros da capital, Porto Alegre. Também foi cumprido mandado de prisão na cidade de Xangri-lá, no litoral do Estado.

O ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Sérgio Etchegoyen, também confirmou a prisão em coletiva concedida hoje.

— Hoje pela manhã tivemos a primeira prisão preventiva de um empresário pelo exercício de locaute, bastante envolvido em ações [da greve].

Operação foi '100% exitosa'

O superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, Alexandre Isbarrola, disse nesta quinta-feira que todos os mandados de busca e apreensão previstos para o primeiro dia da Operação Unlocked já foram cumpridos. Ele classificou a atuação dos agentes como "100% exitosa". 

"O efetivo da Polícia Federal está mobilizado e trabalhando fortemente para a identificação deste e outros fatos que venham a ocorrer para impedir o livre [tráfego] de mercadorias. Vamos identificar e responsabilizar essas pessoas, sendo comprovada a formação de quadrilha ou bando", afirmou Isbarrola durante coletiva de imprensa sobre a operação que investiga a prática de locaute em rodovias gaúchas.

Isbarrola disse ainda que as investigações da Operação Unlocked devem continuar em inquéritos instaurados em Porto Alegre ou no interior do Estado, a depender da origem das denúncias.

— Não estamos revelando números e não poderemos abrir mais informações para não prejudicar as investigações.

Isbarrola enfatizou que a PF está alinhada com a PRF (Polícia Rodoviária Federal), a Polícia Civil e também a Brigada Militar para apurar relatos de bloqueio de cargas a mando de empresários.