Operação Lava Jato

Brasil PF investiga 'taxista de confiança' de ex-tesoureiro da campanha de Dilma

PF investiga 'taxista de confiança' de ex-tesoureiro da campanha de Dilma

Investigadores querem saber por que ele esteve na sede da UTC Engenharia

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José de Filippi Junior (foto) foi responsável também pelas finanças da campanha de Lula, em 2006

José de Filippi Junior (foto) foi responsável também pelas finanças da campanha de Lula, em 2006

Reprodução/USP

A força-tarefa da Operação Lava Jato quer saber do 'taxista de confiança' do ex-tesoureiro da campanha da presidente Dilma Rousseff (2010) José de Filippi Junior as razões de sua visita à UTC Engenharia, empreiteira envolvida no esquema de corrupção e pagamento de propinas instalado na Petrobras entre 2004 e 2014. A Polícia Federal levou João Henrique Worn para depor coercitivamente na sexta-feira (4).

Segundo relatório do Ministério Público Federal, na Operação Aletheia — que atingiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva —, o ex-tesoureiro recebeu propina da UTC, em decorrência de contratos celebrados com a Petrobras. Filippi também foi tesoureiro da campanha de Lula, em 2006.

As informações sobre Filippi foram repassadas aos investigadores por dois delatores da Lava Jato, o dono da UTC Engenharia, Ricardo Pessoa, e o diretor de finanças, Walmir Pinheiro.

"João Henrique Worn é o taxista de confiança de José de Filippi Junior, responsável por receber, em nome deste, entre 2010 e 2014, valores entregues em diversas oportunidades na sede da UTC conforme tabela apresentada pelos colaboradores Ricardo Pessoa e Walmir Pinheiro", aponta o documento. "A sua oitiva no dia da deflagração da operação permitirá a inquirição sobre quais as razões de sua visita à UTC, a mando de quem agia, dentre outros temas".

O relatório aponta que José de Filippi é sócio do Instituto Diadema de Estudos Municipais e da AFC 3 Engenharia LTDA.

A força-tarefa suspeita que as sedes dessas empresas podem ter sido usadas por ele 'para a ocultação de documentos e provas que evidenciam a prática' de crimes. O Instituto Diadema e a AFC3 foram alvo de mandados de busca e apreensão na Aletheia.

"José de Filippi Junior foi tesoureiro do projeto de reeleição do ex-presidente Lula, em 2006, período no qual recebeu ilícitos desviados da Petrobras a partir de contratos celebrados por esta estatal com a UTC e a Quip S.A.. Entre 7 de janeiro de 2011 e 24 de outubro de 2011, José de Filippi Junior ocupou a presidência do Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, sendo que, no período de 2010 a 2014, recebeu vantagens indevidas destinada pela UTC em decorrência de contratos celebrados com a Petrobras", destaca o documento.

A Procuradoria afirma que Ricardo Pessoa e Walmir Pinheiro revelaram que José de Filippi 'solicitou e deles recebeu, entre 2010 e 2014, cerca de R$ 750 mil em espécie'.

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"Os valores foram entregues em diversas oportunidades na própria UTC, conforme tabela apresentada pelos colaboradores, na maioria das vezes, a João Henrique Worn, taxista de confiança de José de Filippi Junior. Os colaboradores também citaram uma doação de R$ 150 mil que foi efetuada pela UTC a José de Filippi Junior na época em que este concorria ao cargo de deputado federal em 2010?", informa o relatório.

De acordo com o documento, parte dos valores repassados a José de Filippi entre 2010 e 2014 'nada mais são do que um montante da propina destinada pela UTC ao Partido dos Trabalhadores em decorrência dos contratos por ela celebrados com a Petrobras, especificamente o contrato firmado no Comperj (Consórcio TUC)'.

Os investigadores haviam pedido, em 22 de fevereiro, a prisão do ex-tesoureiro na Operação Aletheia, o ápice da Lava Jato que pegou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista foi conduzido coercitivamente - quando o investigado é levado para depor e liberado - e prestou depoimento por mais de 3 horas em uma sala da Polícia Federal no Aeroporto de Congonhas.

"Considerando as provas angariadas nas investigações, tem-se como imprescindível a decretação das prisões temporárias de Paulo Okamotto, José de Fillipi Junior e Paulo Gordilho", pediu a força-tarefa da Lava Jato.

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz as ações penais da operação na 1ª instância, não autorizou a prisão temporária de José de Filippi.

O escritório de advocacia que defende José de Filippi Júnior foi contatado por e-mail e por telefone. A reportagem foi informada que não poderia ser atendida, pois o advogado de Filippi estava em reunião.

João Henrique Worn não foi localizado. A reportagem entrou em contato com o ponto de táxi onde João Henrique Worn trabalhava e foi informada que ele saiu de lá há pouco mais de um ano.

O espaço está aberto para José de Filippi Júnior e João Henrique Worn se manifestarem.

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