PF pede 30 dias para concluir ação sobre interferência de Bolsonaro

Investigação envolve as acusações feitas pelo ex-ministro Sérgio Moro de que o presidente tentou interferir no comando da Polícia Federal

Bolsonaro deve ser interrogado no inquérito

Bolsonaro deve ser interrogado no inquérito

Joédson Alves/EFE - 27/05/2020

A PF (Polícia Federal) pediu mais 30 dias de prazo para concluir as investigações do inquérito que investiga se o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no comando da corporação, conforme alegou o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro.

Antes de decidir sobre o pedido da PF, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu manifestação do procurador-geral da República, Augusto Aras, que será o responsável por decidir se, ao fim das apurações, denuncia o presidente ou arquiva o caso. A expectativa é que Bolsonaro seja interrogado por escrito no inquérito ao fim das investigações.

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"Trata-se de pedido formulado pela excelentíssima senhora chefe do Serviço de Inquéritos da Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal (SINQ/DICOR), dra. Christiane Correa Machado, que requer, com apoio em fundamentadas razões , dilação de prazo (30 dias) para conclusão da presente investigação criminal", disse Celso de Mello.

"Ouça-se, previamente, o eminente senhor procurador-geral da República, em sua condição de 'dominus litis' (titular da ação)”, completou.

O inquérito foi aberto em abril, após as acusações feitas por Moro ao pedir demissão do cargo. Até o momento, uma série de depoimentos foi tomada e também tornado público um vídeo, por determinação de Celso de Mello, de uma reunião ministerial do dia 22 do mês passado, em que Moro disse ter sido ameaçado por Bolsonaro de demissão diante da pressão por troca na PF. O presidente nega as acusações e disse que se referia à sua segurança pessoal.