PF prende doleiro e mira ex-presidente do Paraguai

Autoridades cumprem 17 de prisão preventiva, 3 de prisão temporária e 15 de busca e apreensão

Cartes é alvo de operação da PF

Cartes é alvo de operação da PF

REUTERS/Jorge Adorno/14.08.2018

A força-tarefa da Lava Jato e a PF (Polícia Federal) deflagraram, na manhã desta terça (19) uma nova fase da Operação Câmbio Desligo, denominada Patron, para investigar grupo que deu apoio a fuga e à ocultação de bens de Dário Messer, conhecido como o ‘doleiro dos doleiros’. O doleiro Najun Azario Flato foi preso no âmbito da ação, que mira ainda o ex-presidente do Paraguai Horácio Cartes.

As autoridades cumprem 17 mandados de prisão preventiva, 3 de prisão temporária e 15 de busca e apreensão em São Paulo (SP), Ponta Porã (MS) e Armação dos Búzios (RJ). 

Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

As investigações apontam que Messer ocultou US$ 20 milhões e, desse montante, mais de US$ 17 milhões teriam sido alocados em um banco nas Bahamas e o restante pulverizado no Paraguai entre doleiros, casas de câmbio, empresários, políticos e uma advogada.

Segundo o MPF (Ministério Público Federal), cópias de mensagems mostraram que autoridades paraguaias e outros cidadãos ajudaram Messer a ficar foragido no Paraguai e no Brasil. 

"Por esses dados constatou-se que a organização criminosa disponibilizou pelo menos US$ 2,5 milhões a Messer. As apurações revelaram que Cartes teria enviado US$ 500 mil para o doleiro, a quem se referiu como “hermano de alma”, após sua fuga para o país que ele governava até agosto de 2018. As famílias Messer e Cartes fazem negócios desde os anos 1980 e um relatório de uma CPI no Paraguai definiu Dario como sócio oculto do atual senador", afirma nota do MPF.

Dados nos celulares apreendidos comprovaram que os crimes da organização de Messer não pararam mesmo após a Operação Câmbio, Desligo de maio de 2018. “Ao contrário, a complexa rede do submundo do mercado ilícito de capitais o acolheu porque já inserida em sua própria organização, dela jamais tendo se dissociado”, ressaltou a Lava Jato/RJ na petição à Justiça.

O nome dos investigados que moram no Paraguai e Estados Unidos terão seus nomes incluídos na Difusão Vermelha da Interpol, por decisão judicial, indicou a PF.

Veja os alvos de prisão, segundo o MPF:

Prisão preventiva

1. Dario Messer (doleiro);

2. Myra de Oliveira Athayde (namorada de Messer)*

3. Alcione Maria Mello de Oliveira Athayde (mãe de Myra)*

4. Arleir Francisco Bellieny (padrasto de Myra)*

5. Roland Pascal Gerbauld (doleiro investigado por lavar dinheiro nos Estados Unidos e Bahamas)*

6. Roque Fabiano Silveira (empresário na fronteira, portador do pedido de dinheiro de Messer para Cartes)

7. Lucas Lucio Mereles Paredes (doleiro da rede de Messer há uma década)

8. Najun Azario Flato Turner (doleiro atualmente foragido que ajudou Messer após ele voltar para o Brasil)*

9. Luiz Carlos de Andrade Fonseca (doleiro, sócio da Entertour, usada para remessas feitas a Messer)*

10. Felipe Cogorno Alvarez (empresário do grupo Cogorno investigado por ocultar US$500 mil para Messer)

11. Edgar Ceferino Aranda Franco (doleiro, dono da FE Cambios SA, usada como cofre para dinheiro ilícito)

12. José Fermin Valdez Gonzalez (doleiro, gerente da FE Cambios SA)

13. Jorge Alberto Ojeda Segovia (“Finolo”, doleiro com longa parceria com Messer)

14. Maria Letícia Bobeda Andrada (advogada filha de senador que ocultou US$ 150 mil de Messer para fins ilícitos)

15. Antonio Joaquim da Mota (“Tonho”, empresário ligado a crimes com cigarros, drogas e armas e que abrigou Messer em propriedades da família no Paraguai)*

16. Cecy Medes Gonçalves da Mota (mulher de Tonho)*

17. Horácio Manuel Cartes Jara (“patrão”, político com empresas em vários setores)

Prisão temporária

18. Valter Pereira Lima (doleiro)*

19. Antonio Joaquim Mendes Gonçalves da Mota (filho de Tonho e empresário no Brasil e

Paraguai)*

20. Orlando Mendes Gonçalves Stedile (enteado de Tonho)*

*alvos também de busca e apreensão

O R7 tenta contato com a defesa dos citados.