Brasil PGR pede abertura de inquérito contra ministro Ricardo Salles

PGR pede abertura de inquérito contra ministro Ricardo Salles

Pedido veio após notícia-crime enviada pela PF ao STF acusando ministro de integrar organização criminosa com madeireiros

  • Brasil | Gabriel Croquer, do R7, com informações da Record TV

Ministério afirmou que investigação "será uma boa oportunidade para esclarecer os fatos"

Ministério afirmou que investigação "será uma boa oportunidade para esclarecer os fatos"

Carolina Antunes/PR - 12.02.2020

A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu nesta segunda-feira (31) à ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Cármen Lúcia, pela abertura de investigação contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que teria atrapalhado a investigação de madeireiros enquadrados na maior apreensão de madeira ilegal da história da PF (Polícia Federal).

A PGR também pede pelo depoimento do presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, suspeito pelos crimes de facilitação de contrabando e advocacia administrativa, e dos agentes da Polícia Federal que participaram da apreensão recorde em 2020. A peça foi assinada pelo pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros.

Salles foi citado em notícia-crime da PF enviada ao Supremo no mês passado, que gerou o pedido da PGR. No documento, o delegado Alexandre Saraiva apontou indícios de três crimes cometidos pelos políticos: dificultar fiscalização de questões ambientais; patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública; e integrar a suposta organização criminosa atingida pela operação. Salles e o senador negam as acusações.

Saraiva também defendeu a legalidade da operação e citou diversas críticas públicas e ações do ministro Salles contra a apreensão.

O ministro já é alvo de um inquérito no Supremo. No dia 19 de maio, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, autorizou operação Akuanduba, da PF, para cumprir 35 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e Pará. Entre os alvos da ação, estiveram três endereços ligados a Salles.

Junto a outros 17 servidores do Ibama, o ministro teve ainda os sigilos fiscal e bancário quebrados. A investigação mirou funcionários da administração pública acusados de facilitar a exportação ilegal de madeira e visa apurar crimes contra a administração pública (corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando) praticados por servidores e empresários do ramo madeireiro.

Em resposta ao R7, o ministério do Meio Ambiente afirmou que a abertura da investigação "será uma boa oportunidade para esclarecer todos os fatos". 

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