Julgamento do mensalão

Brasil Pizzolato emitiu passaporte falso quatro anos antes do julgamento do mensalão

Pizzolato emitiu passaporte falso quatro anos antes do julgamento do mensalão

Ex-diretor do Banco do Brasil usava documentos no nome do irmão que morreu há 36 anos

  • Brasil | Carolina Martins, do R7, em Brasília

Interpol divulgou imagem do documento falso de Pizzolato

Interpol divulgou imagem do documento falso de Pizzolato

Divulgação/Interpol

O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, portava um passaporte brasileiro falso quatro ano antes do início do julgamento do mensalão. De acordo com informações da PF (Polícia Federal), ele emitiu o documento em 2008. Dois anos depois, ele conseguiu um passaporte italiano, também falso.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (5) e foram descobertos durante a investigação da PF brasileira em conjunto com a polícia italiana. Pizzolato foi preso usando documentos do irmão, Celso Pizzolato, morto há 36 anos.

O irmão de Pizzolato faleceu em 1978 em um acidente de carro, em Foz do Iguaçu (PR). A polícia ainda não conseguiu o atestado de óbito dele, mas localizou o túmulo onde o corpo foi enterrado, em Santa Catarina.

Pizzolato alugava vila com vista para o mar na Itália

Falsificação

De acordo com a investigação da PF, Henrique Pizzolato emitiu uma carteira de identidade falsa, no nome do irmão, em 2007. Ele também tinha um título de eleitor falso. Com esses documentos, ele conseguiu os passaportes brasileiro e italiano.

Pizzolato saiu do Brasil no dia 11 de setembro do ano passado, sete dias depois do STF (Supremo Tribunal Federal) negar os embargos infringentes apresentados pela defesa no processo do mensalão.  Ele usou os documentos falsos e foi até à cidade de Dionísio Cerqueira (SC), fronteira com a Argentina.

Após entrar no país vizinho, Pizzolato embarcou, de Buenos Aires, para cidade espanhola de Barcelona. As passagens para Europa foram compradas pela esposa de Pizzolato.

Mais cedo, ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que vai tomar todas as providências para que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, seja extraditado para o Brasil.

Cardozo confirmou que Pizzolato está preso na Itália, mas explicou que são necessários alguns trâmites burocráticos antes de fazer o pedido de extradição ao governo italiano. Mas o ministro garante que a solicitação será feita.

— Sim, vamos fazer o pedido de extradição. É nosso dever e assim faremos. Tomaremos todas as providências que forem necessárias, devidas e cabíveis ao caso, nos termos daquilo que determina a nossa Constituição e a nossa legislação.

O Ministério da Justiça aguarda ser comunicado oficialmente sobre a prisão de Pizzolato. Como o ex-diretor tem um mandado de prisão decretado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Cardozo precisa comunicar, também em caráter oficial,  o presidente da Corte, ministro Joaquim Barbosa. Depois disso, Barbosa pode fazer o pedido de extradição.

Condenação

Pizzolato foi condenado no processo do mensalão a 12 anos e sete meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. 

Um dia depois que teve sua prisão decretada, a notícia de que Pizzolato teria fugido para a Itália foi confirmada pela Polícia Federal do Rio de Janeiro.

Naquele dia, o advogado do ex-diretor do BB, Marthius Sávio Lobato, entrou em contato com a Polícia Federal e afirmou que ao chegar à residência do réu, no Rio de Janeiro, foi informado pela família que Pizzolato, que tem dupla cidadania, teria fugido para a Itália.

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