Brasil Polícia Federal investiga gestores da Caixa por negócio com grupo de Silvio Santos

Polícia Federal investiga gestores da Caixa por negócio com grupo de Silvio Santos

Órgão apura compra do Banco Panamericano e bloqueou R$ 1,5 bilhão

Polícia Federal investiga gestores da Caixa e bloqueia R$ 1,5 bilhão

Após fraude, banco foi comprado pela Caixa em 2009

Após fraude, banco foi comprado pela Caixa em 2009

Reprodução/Senado.gov.br

A Polícia Federal cumpre na manhã desta quarta-feira (19) 46 mandados de busca e apreensão contra gestores da Caixa Econômica Federal. Eles investigam possível aquisição fraudulenta de ações do Banco Panamericano (atual Banco Pan), do Grupo Silvio Santos, pela Caixapar (Caixa Participações S.A.).

A Operação Conclave, como foi batizada, também apura possíveis prejuízos causados a correntistas e clientes.

O negócio foi realizado em 2009, quando o Panamericano descobriu um rombo de R$ 4,3 bilhões.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, em março de 2012, o ex-presidente do Grupo Silvio Santos, Luiz Sandoval, falou sobre o negócio. 

— Muitos bancos menores tentaram ter a Caixa como sócia. Mas que banco tinha Silvio Santos como dono? Isso deixou a Caixa com olhos grandes. A Caixa também teria anúncios no SBT, desfrutando dos mesmos descontos dados às empresas do grupo.

Segundo Sandoval disse à época, as negociações envolveram até o então Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que "garantiu que o negócio interessava ao governo e iria sair".

Cerca de 200 policiais federais cumprem os mandados, expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília/DF. São 30 pedidos de busca e aprensão em São Paulo (SP), seis no Rio de Janeiro (RJ), seis em Brasília (DF), um em Belo Horizonte (MG), um em Recife (PE) e dois em Londrina (PR).

A Justiça ainda determinou a indisponibilidade e o bloqueio de valores de contas bancárias dos investigados, que somam R$ 1,5 bilhão.

A compra das ações do Panamericano pela Caixapar é investigada por ter, possivelmente, causado prejuízos aos cofres públicos.

Durante as investigações, foram identificados alguns núcleos criminosos: de agentes públicos, responsáveis diretos pela assinatura dos pareceres, contratos e demais documentos que culminaram com a compra e venda de ações do Banco Panamericano pela Caixapar e com a posterior compra e venda de ações significativas do Banco Panamericano pelo Banco BTG Pactual S/A; e o núcleo de consultorias, contratadas para emitir pareceres a legitimar os negócios realizados, e o núcleo de empresários que, conhecedores das situações de suas empresas e da necessidade de dar aparência de legitimidade aos negócios, contribuíram para os crimes em apuração.

O nome da operação faz alusão ao ritual que ocorre a portas fechadas entre cardeais na Capela Sistina, na cidade do Vaticano, com a intenção de escolher um novo Papa para a igreja católica. Ele foi escolhido em razão da forma sigilosa com que foram tratadas as negociações para transação entre o Banco Panamericano e a Caixapar.

Outro lado

O Banco Pan informou que atendeu nesta quarta-feira em sua sede à Polícia Federal, mas que tal fato não tem relação com a gestão atual.

"A companhia esclarece que está colaborando com as investigações e que tal fato não tem nenhuma relação com a gestão atual ou com suas operações", afirmou em comunicado ao mercado.