Políticos repercutem demissão de Mandetta do ministério da Saúde

Governadores, deputados e senadores comentaram nas redes sociais a troca na pasta, anunciada na tarde desta quinta-feira (16)

Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Ueslei Marcelino/REUTERS - 15.04.2020

A classe política repercutiu nas redes sociais a saída do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O próprio ministro anunciou a demissão na tarde desta quinta-feira (16) após encontro com o presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi definida como "única saída" pelo deputado federal Marco Feliciano (PODE-SP) e como "perda para o Brasil " pelo governador João Doria (PSDB-SP). 

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Feliciano parabenizou o presidente Jair Bolsonaro, definiu o ministro como "traidor" e disse que há semanas avaliava apenas a demissão como alternativa. Doria, que havia comentado na quarta-feira (15) que a possibilidade da saída seria um "desastre", agradeceu o trabalho de Mandetta e desejou "êxito" ao novo ministro. "Que siga procedimentos técnicos e atenda às recomendações da OMS", declarou o governador.

Ronaldo Caiado (DEM-GO), governador de Goiás, disse que Mandetta fez do Brasil referência internacional no enfrentamento do novo coronavírus e que "salvou milhares de vidas".  Helder Barbalho (MDB-PA), governador do Pará, que está com covid-19, agradeceu o empenho que Mandertta dedicou ao povo paraense, desejou sorte a Teich e disse ter "a certeza de que continuaremos com nossa parceria de alto nível" com o minsitério da Saúde. O senador Major Olímpio (PSL-SP) desejou sorte ao novo ministro e agradeu a Mandetta. 

Câmara

A Câmara teve reação imediata à demissão de Mandetta. Durante a sessão virtual, realizada nesta tarde para votar a ampliação do auxílio emergencial, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), usou seu microfone para "deixar sua homenagem" ao colega de partido.

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"Aproveito, e tenho certeza que falo em nome da maioria da Câmara dos Deputados, no momento em que o ministro Mandetta anuncia que foi demitido pelo presidente da República, a nossa homenagem à sua dedicação, ao seu trabalho, sua competência, sua capacidade", disse Maia no plenário. "Mandetta deixa um legado, uma estrutura para que o Brasil, o governo federal, Estados e os municípios, tenham condições de atender da melhor forma possível a sociedade brasileira", disse. Maia reforçou a posição em pulibação nas redes sociais.

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O ex-ministro da Agricultura e deputado Neri Geller (PP-MT) disse, em mensagem de texto, que Mandetta conseguiu, "de forma exemplar, construir uma relação de confiança com a sociedade brasileira".

Novo ministro

O médico oncologista Nelson Teich foi escolhido por Jair Bolsonaro como o novo ministro da Saúde. Ele vai substituir Luiz Henrique Mandetta, que foi demitido do cargo na tarde desta quinta-feira (16).

Teich é carioca e formado em medicina pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ele chegou a ser cotado para a pasta da Saúde antes da posse de Bolsonaro na Presidência.

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O oncologista foi consultor de saúde durante a campanha eleitoral de Bolsonaro e assessorou o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, de setembro de 2019 a janeiro de 2020.

Teich fundou o Grupo COI (Clínicas Oncológicas Integradas) em 1990. Em 2005, o grupo foi adquirido pela UHG/Amil. Também fundou e é presidente do Instituto COI de Educação e Pesquisa, uma organização sem fins lucrativos criada em 2009 para fazer pesquisas clínicas e trabalhar com programas de formação nas diversas áreas de tratamento do câncer, como hematologia, oncologia, radioterapia, física da radiação, enfermagem e farmácia.

Ele coordena a parceria com o programa de consultoria MD Anderson, criada com o objetivo ser um centro integral de câncer no Rio de Janeiro. O médico tem mestrado em economia da saúde pela Universidade de York, MBA em saúde pelo Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPEAD) e em gestão e empreendedorismo pela Harvard Business School.

A demissão de Luiz Henrique Mandetta foi confirmada pelo próprio agora ex-ministro, no Twitter, após uma reunião com Bolsonaro.

"Acabo de ouvir do presidente Jair Bolsonaro o aviso da minha demissão do Ministério da Saúde. Quero agradecer a oportunidade que me foi dada, de ser gerente do nosso SUS, de pôr de pé o projeto de melhoria da saúde dos brasileiros e de planejar o enfrentamento da pandemia do coronavírus, o grande desafio que o nosso sistema de saúde está por enfrentar", escreveu.