Brasil Possível ausência de Lula deixa PT sem nome forte para 2018, dizem especialistas

Possível ausência de Lula deixa PT sem nome forte para 2018, dizem especialistas

Estudiosos dizem que partido e esquerda não têm outro representante para o pleito

Possível ausência de Lula deixa PT sem nome forte para 2018, dizem especialistas

Futuro político de Lula deixa cenário das Eleições 2018 incerto

Futuro político de Lula deixa cenário das Eleições 2018 incerto

Ricardo Stuckert/Divulgação

Após a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o cenário das Eleições 2018 está incerto e provoca um vazio eleitoral especialmente para o PT.

Segundo especialistas ouvidos pelo R7, sem a presença do político, o partido não tem nomes representativos e fortes o suficiente para vencer o pleito.

Na avaliação do cientista político Fábio Wanderley Reis, professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o risco de o petista não poder se candidatar em 2018 deixa o quadro “pouco favorável ao PT”. 

— Não acho que haja nenhuma liderança no quadro do PT que tenha viabilidade e que seja uma aposta mais ou menos segura.
Segundo o doutor em ciência política Guilherme Simões Reis, professor da UniRio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), “não existe” alguém dentro do PT ou até mesmo na esquerda com o apelo de Lula.

— Existem dois cenários completamente diferentes com Lula e sem Lula. No campo da esquerda não teria nenhum candidato natural. Acho difícil o PT ter um nome competitivo sem Lula.

Mesmo se o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) ratificar a sentença do juiz federal Sérgio Moro, isso não impediria que ele concorresse à Presidência em 2018. Porém, se ele não conseguisse disputar as eleições, os estudiosos ouvidos pelo R7 dizem que nenhum candidato do PT teria as mesmas chances que ele de ganhar.

O docente da UFMG diz que, “mesmo que Lula não possa concorrer, é tranquilo que ele passa a ter um efeito de transferir votos em grande medida”. Segundo ele, “vimos isso acontecer duas vezes com a Dilma [Rousseff]”.

— A Dilma era a pior candidata do mundo. No entanto, ganhou a primeira e a segunda eleição. Um milagre do Lula.

O professor emérito da UFMG diz que “alguma coisa parecida poderia se repetir” com alguns nomes como o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT-CE) e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT-SP). Na quinta-feira, inclusive, o próprio Lula indicou que Haddad ou os governadores de Estado do PT poderiam disputar a eleição presidencial caso ele estivesse impedido.

Guilherme Simões Reis concorda com os possíveis substitutos do ex-presidente citados pelo colega e diz que outros nomes para concorrer às eleições no “lugar” de Lula como candidato da esquerda seriam a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) ou o coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos.

— O Celso Amorim poderia ser um candidato mais competitivo, mas não a ponto de conseguir vencer a eleição. Eu acho que ele tem uma imagem de seriedade e de não político. Seria um candidato que não é muito conhecido e que passa uma imagem de moderação, ao mesmo tempo, agradando a esquerda.

Porém, o professor da UniRio diz acreditar que, mesmo com o apoio de Lula, “a transferência de voto é sempre limitada” e “não é tão simples”.

Nesta semana, o ex-presidente sofreu mais dois reveses. Na quarta-feira (19), o BC (Banco Central) bloqueou R$ 606.727,12 das contas do petista. A decisão cumpriu uma ordem feita por Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato em primeira instância.

Depois, na quinta-feira (20), Moro determinou o bloqueio de mais R$ 9 milhões de planos de previdência privada do ex-presidente. O dinheiro está em duas contas da BrasilPrev — uma em nome do próprio Lula e outra no nome da LILS, a empresa usada pelo petista para dar palestras.