Presidente do Bradesco é indiciado na Operação Zelotes

Polícia Federal diz que Luiz Carlos Trabuco tentou anular multa que instituição tinha

Trabuco (foto) pode se tornar réu em processo

Trabuco (foto) pode se tornar réu em processo

Clayton de Souza/Estadão Conteúdo

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e outros dois executivos do banco foram indiciados nesta terça-feira (31) na Operação Zelotes. Segundo as investigações da Polícia Federal, o banco teria feito acordos criminosos para anular um débito de R$ 3 bilhões que a instituição tinha com a Receita Federal. 

A Zelotes apura pagamento de propinas de empresas para aliviar decisões no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), ligado ao Ministério da Fazenda. Segundo a Polícia Federal, os executivos do Bradesco se encontraram com outros investigados no esquema.

Além de Trabuco, outros dois executivos do Bradesco também foram indiciados pela PF. São eles: o vice-presidente do banco, Domingos Abreu, e Luiz Carlos Angelotti, diretor de Relações com Investidores da instituição.

A PF também indiciou o auditor da Receita Federal Eduardo Cerqueira Leite, que teria articulado a reunião entre os integrantes do esquema e o comando do banco. A conclusão do inquérito relativo ao Bradesco já foi encaminhado pela PF ao Ministério Público Federal, que pode ou não apresentar denúncia à Justiça Federal.

Agora, o inquérito está com o Ministério Público Federal, que vai decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça. Trabuco chegou a ser cogitado para integrar o segundo governo da presidente Dilma Rousseff, antes do nome de Joaquim Levy.

Outro lado

O Bradesco informou que, por meio de seus advogados, irá apresentar seus argumentos jurídicos no âmbito na Operação Zelotes que investiga compra de decisões no Carf.

Em nota, o banco afirma que não contratou os serviços prestados pelo grupo investigado por corromper integrantes do Carf. Além disso, a instituição lembra que foi "derrotada" por seis votos a zero no julgamento do Conselho.

Sobre o fato de executivos do banco terem conversado a respeito de um "contrato" para anular um débito de R$ 3 bilhões com a Receita Federal, conforme apontaram as investigações da PF, o Bradesco esclareceu que o presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco Cappi, não participou de qualquer reunião com o grupo citado.

"O mérito do julgamento se refere à ação que o Bradesco perdeu em todas as instâncias da Justiça, em questionamento à cobrança de adicional de PIS/Cofins. Esta ação foi objeto de recurso pela Procuradoria da Fazenda no âmbito do Carf. O Bradesco irá apresentar seus argumentos juridicamente por meio do seu corpo de advogados. O Bradesco reitera seus elevados padrões de conduta ética e reafirma sua confiança na Justiça", destacou o banco em nota.

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