Presidente pode trocar líder para ter homem de confiança na Educação

Eventual escolha do deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), líder do governo na Câmara, é vista como “solução a la Pazuello” - mais um militar para pacificar crise interna

Major Vitor Hugo é nome forte para assumir o MEC

Major Vitor Hugo é nome forte para assumir o MEC

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cogita nomear o atual líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), como novo ministro da Educação. O parlamentar entrou na lista dos cotados pelo perfil moderado e de bom articulador, em tese, capaz de pacificar alas divergentes no governo, e de enfrentar grupos ideológicos e corporativos que dominam a Educação..

A intenção, segundo aliados, é encontrar para o MEC uma solução semelhante à adotada com a entrada do general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. Uma vez que as tentativas de indicar um nome técnico não deram o resultado esperado, o presidente partiria para a solução política: a escolha de um de seus quadros de confiança que funcione ao mesmo tempo como executor de seu projeto e pacificador da crise.

Entre os pontos que pesam a favor de Vitor Hugo estão o currículo irretocável, o fato de ser uma pessoa da estrita confiança de Jair Bolsonaro, de ter a aceitação dos filhos do presidente, que comandam a ala ideológica do governo, e de ser leal cumpridor de ordens. Vítor Hugo, que é de carreira militar, tem forte vínculo com Bolsonaro.

A troca de posição, além de premiar o trabalho do líder, também permite mudanças na articulação política no Congresso, uma vez que o Planalto precisa contemplar aliados do Centrão. 

O cargo de titular da Educação está vago há pouco mais de duas semanas, quando o Abraham Weintraub foi exonerado. O primeiro escolhido como substituto foi o professor Carlos Alberto Decotelli da Silva. Mas o nome do economista foi alvo de  polêmica antes mesmo da nomeação oficial. O reitor da Universidade de Rosário, na Argentina, negou que o professor tivesse certificado de doutorado pela instituição, e a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, forneceu informação semelhante em relação ao pós-doutorado que Decotelli informava ter.

Além disso, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgou que investigaria suposto plágio em sua tese de mestrado e que ele não atuou como professor fixo, informações que foram negadas por Decotelli.

Na sequência, foi a vez do nome Renato Feder, atual secretário de educação do Paraná, sofrer resistência de aliados próximos a Jair Bolsonaro e de parte da base eleitoral do presidente. 

Além de ser uma indicação elogiada por alguns adversários políticos de Bolsonaro, pesou o fato de Feder não estar ligado à ala militar nem ao grupo ideológico que cercam o presidente, causando bombardeios de ambos os lados.