Primo de Bumlai: "comprei imóvel e tomei calote de Lula por 4 anos"

Marques comprou apartamento em frente ao de Lula a pedido do pecuarista

Marques mudou a versão de depoimento dado à PF

Marques mudou a versão de depoimento dado à PF

Reprodução/JPFP

Glauco da Costa Marques, primo do pecuarista amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai, disse em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro que levou calote durante quatro anos e nove meses do petista após comprar um apartamento em frente ao do ex-presidente.

De acordo com Marques, o espaço era utilizado por Lula antes dele assumir a presidência e passou a ser alugado pela Secretaria do Planalto quando o petista assumiu o poder.

Marques conta que a ideia para ele comprar o apartamento partiu de Bumlai em julho de 2010. Segundo ele, o pecuarista ficou preocupado com a possibilidade alguém se tornar proprietário do imóvel com a morte do antigo dono.

— O Zé Carlos me falou: 'você pode comprar esse apartamento para mim? Eu estou sem dinheiro agora e nós não queremos que alguém estranho compre o apartamento e se mude para lá. Esse apartamento tem que continuar alugado'.

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Marques revela que o imóvel foi adquirido no valor de R$ 504 mil e que assinou um contrato para locação da propriedade diretamente com a ex-primeira-dama Marisa Letícia.

Apesar do contrato, ele relata ao magistrado que não recebeu nenhum pagamento referente ao aluguel do imóvel entre o dia 1º de fevereiro de 2011 e novembro de 2015. Questionado por Moro, ele afirma que o advogado de Lula, Roberto Teixeira, não deu nenhuma explicação da razão pela qual iria iniciar os pagamentos.

— Eu estava focado no recebimento do [valor do] apartamento, que o Zé Carlos não me pagou. Eu nunca reclamei dos aluguéis porque o foco era eu receber o que eu tinha emprestado.

Moro pergunta ao primo de Bumlai a respeito da declaração referente ao apartamento ser contraditória em relação à dada por ele à Polícia Federal. Marques responde que sua versão anterior levou em conta o “laço grande de amizade” entre ele e Bumlai.

— Eu sou padrinho de um dos filhos dele. E, se eu falasse alguma coisa, ele não me pagava e já ia virar um tumulto. Então, eu pensei em esperar a hora certa, que é essa hora aqui, e estou retificando o que eu declarei.