Brasil Projeto ajuda jovem em situação de vulnerabilidade a prevenir o suicídio

Projeto ajuda jovem em situação de vulnerabilidade a prevenir o suicídio

Suicídio é a segunda maior causa de morte em jovens brasileiros entre 15 e 29 anos — entre mulheres de 15 a 19 anos, já figura como a principal

Manifestação reuniu milhares de jovens na avenida Paulista

Manifestação reuniu milhares de jovens na avenida Paulista

Kaique Dalapola/RJ

A cada dia, 32 pessoas, em média, cometem suicídio no Brasil. Hoje, é a segunda maior causa de morte em jovens entre 15 e 29 anos — entre mulheres de 15 a 19 anos, já é a principal. No mundo, uma morte do tipo acontece a cada 40 segundos.

Nessa fase da vida, a adolescência, afirma a psicóloga Eliane Puk, o jovem uma fase de transição para a vida adulta e passa a buscar sua própria identidade.

“O adolescente adora um desafio e precisa fazer parte de um grupo para sentir-se integrado. Ele busca seus valores e sua integridade, aumentando sua necessidade de sentir-se aceito”, diz.

Cuidar de eventuais problemas psicológicos e psiquiátricos deve ser uma tarefa individual, segundo ela. Eles geralmente são evidenciados por indícios de depressão e de pensamentos suicidas, além de distúrbios alimentares, por exemplo. “O que leva alguém a tentar o suicídio é um sofrimento intenso, um vazio existencial, a perda do sentido da vida. Por isso, não se pode generalizar — cada indivíduo é único e deve ser percebido e acolhido”, afirma.

O grupo Força Jovem Universal (FJU) promove uma ação social e espiritual com os jovens que já flertaram com o suicídio como solução. “Podemos mudar esse cenário por meio da conscientização, do atendimento e apoio a esses jovens. A ideia é fazer com que eles entendam que vale a pena viver”, afirma Marcello Brayner, coordenador da FJU.

Marrie Rossetto), 19, moradora de Santos (SP), conta que, embora estivesse rodeada de amigos e familiares, não se sentia realizada. “Dos 12 aos 14 anos, eu pensava em suicídio. Ninguém sabia o que acontecia comigo. Eu me cortava escondida. Comecei a sofrer com bulimia [transtorno alimentar] e complexos de inferioridade.” Ela acreditava que pedir ajuda não resolveria a sua situação. “Eu mantinha uma aparência de ‘perfeitinha’, por isso, não pedia ajuda; pensava que se descobrissem o que eu passava iriam me julgar.”

Ajudada pelo projeto, Marrie hoje não pensa mais na morte — pelo contrário, quer viver e ajudar quem precisa.

O grupo semanalmente realiza visitas e palestras em escolas e faculdades, caminhadas contra o suicídio, atendimentos por meio das redes sociais e presenciais na Universal, campanhas como o “Saiba Dizer Não” e o projeto Help, formado por jovens que, um dia, também tentaram o suicídio que hoje podem ajudar outras pessoas.

Caso alguma instituição queira a visita do projeto, basta solicitá-la com o coordenador do FJU mais próxima ou procurar as redes sociais do grupo. O encaminhamento será feito para o Help de sua cidade.

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