Brasil Promotoria entra com ação para prefeito de Tamandaré deixar cargo

Promotoria entra com ação para prefeito de Tamandaré deixar cargo

A mãe de Miguel, que morreu após cair do 9º andar do prédio onde mora o prefeito em Recife, trabalhava na casa dele, mas recebia pela prefeitura

Sérgio Hacker, prefeito de Tamandaré, que pode perder o cargo

Sérgio Hacker, prefeito de Tamandaré, que pode perder o cargo

Reprodução

O MP-PE (Ministério Público de Pernambuco) entrou nesta quarta-feira (1º) com ação civil pública por atos de improbidade administrativa contra o prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker. Caso condenado, ele poderá perder o cargo.

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Hacker é marido de Sari Corte Real, indiciada por abandono de incapaz, que resultou na morte de Miguel Santana da Silva, de 5 anos. A prefeitura pagava o salário da mãe de Miguel, Mirtes Renata Santana da Silva, que na verdade trabalhava na casa do prefeito. 

Além de requerer a condenação pela utilização de recursos do município para pagar por serviços particulares prestados nas casas da família do prefeito, o MPPE também apresentou pedido cautelar com o objetivo de bloquear parte dos bens do réu a fim de assegurar o pagamento das multas em uma eventual condenação.

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No caso do prefeito de Tamandaré, o MPPE identificou práticas de improbidade que causaram enriquecimento ilícito, lesão ao erário e violação aos princípios da administração pública em razão da nomeação, para cargos comissionados no quadro funcional da prefeitura, de três mulheres que eram de fato funcionárias domésticas da família Hacker.

"Embora nomeadas para cargos na Prefeitura de Tamandaré, elas jamais prestaram serviços à administração municipal. Durante os anos de 2017 a 2020, o prefeito utilizou, para serviços particulares na sua residência, o trabalho de servidoras públicas, recusando-se a pagar pelas empregadas e repassando o ônus ao contribuinte", ressaltam, no texto da ação civil pública, os promotores de Justiça Camila Spinelli Regis de Melo e Ivan Renaux de Andrade.

Após tomar conhecimento dos fatos, que vieram à tona com a repercussão midiática da morte de Miguel a Promotoria de Justiça de Tamandaré instaurou o inquérito civil.

Em resposta à solicitação de informações do MPPE, a Prefeitura de Tamandaré apresentou, através de ofício, as portarias de nomeação das três servidoras; os setores onde, em tese, estavam lotadas; e os gastos do poder público com as funcionárias, que somaram R$ 193.365,20 (valores corrigidos) no período.

No mesmo documento, o município de Tamandaré também alegou que o prefeito Sérgio Hacker devolveu os valores aos cofres municipais e que, por esse motivo, não teria havido lesão ao erário. A justificativa, no entendimento da Promotoria de Tamandaré, não afasta a prática de ato de improbidade administrativa, ao contrário, torna a sua ocorrência incontroversa.

A devolução do montante também não afasta o ato de improbidade que diz respeito à parcela de R$ 72.564,01, correspondente aos vencimentos da servidora Marta Maria Santana Alves, mãe de Mirtes e lotada na Secretaria de Educação, que tem recursos próprios e contas separadas. Esse valor foi pago com recursos da cota de 40% do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) que deveriam ser destinados ao custeio de escolas, compra de equipamentos de ensino, material didático ou transporte escolar.

"Por esse motivo, o MPPE requer também que o poder público comprove a destinação adequada do dinheiro devolvido, com a incorporação dos valores à rubrica orçamentária de origem, em especial o valor do Fundeb", ressaltam os promotores de Justiça.

A secretária municipal de Educação, Maria da Conceição do Nascimento, também teve ação ajuizada contra ela. As investigações mostram que ela, no papel de ordenadora de despesas do Fundeb, foi omissa quanto à existência de uma servidora fantasma na sua Secretaria.

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