Queda de helicóptero no DF poderia ser evitada. Mas o custo seria alto  

Aeronave dos bombeiros caiu, na quinta-feira (30), em avenida de Brasília. Dentro da aeronave estavam: três militares, um médico e uma enfermeira

Dentro da aeronave estavam:  três militares, um médico e uma enfermeira

Dentro da aeronave estavam: três militares, um médico e uma enfermeira

Rogério Barba/Arquivo Pessoal


As imagens feitas por moradores da região de Vicente Pires, próxima a Brasília, mostraram a densa nuvem de poeira levantada pela hélice do helicóptero modelo “Esquilo”, do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal instantes antes da queda. Essa condição de pouso tão conhecida quanto temida no meio aeronáutico tem nome: “brownout”, termo usado na lingua inglesa para definir a diminuição de visibilidade.

Durante as decolagens e as aproximações para pousos, as pás do rotor aumentam o ângulo de ataque e pressionam uma maior quantidade de massa de ar em direção ao solo. Essas operações em locais com areia, partículas de poeira e neve, por exemplo, dificultam consideravelmente a visão do piloto, tornando as manobras ainda mais delicadas. Ainda mais em situações de resgate, quando muitas vezes as manobras acontecem sob forte estresse e nos limites de segurança.

Os 5 tripulantes que se feriram sem gravidade no acidente de Brasília tiveram sorte. Em setembro de 2001 um piloto de 54 anos de um modelo Aerospatiale AS350-B morreu depois que o aparelho colidiu com algumas árvores  em Chico, no Norte da Califórnia. O fator cotribuinte foi a falta de visibilidade, causada pela ascenção de poeira. 

Em março de 2004 foi a vez de um helicóptero de resgate modelo Bell 407 da Med-Trans Corporation cair durante outra manobra em condições de visibilidade reduzida em Pyote, no Texas. Quatro pessoas morreram e uma ficou gravemente ferida. 

Manobras sob “brownout” ocorrem em todo o mundo. Os militares americanos viveram esta experiência com certa frequência em duas ocasiões específicas. Durante operações no Afeganistão e no Iraque – regiões conhecidas por intensos desertos - os acidentes de helicópteros causados pelo efeito “brownout” geraram um prejuízo de mais de 100 milhões de dólares às Forças Armadas dos Estados Unidos. A revelação foi feita pela publicação “Aeromechanics”, da NASA (Agência Espacial Americana).

A solução para operações seguras durante o efeito do “brownout” foi anunciada em 2009 pela fabricante Sikorsky, do grupo Lockheed Em conjunto com a Darpa a empresa desenvolveu uma tecnologia batizada de “Sandblaster”, que oferece aos pilotos uma descrição sintética e precisa da topografia do terreno. E permite manobras mesmo com a visão encoberta. Os investimentos somaram 16 milhões de dólares, algo em torno de 85 milhões de reais. O equipamento, que inclui também um radar de 94 GHz, reduz a carga de trabalho e permite ao piloto “enxergar”através das nuvens de poeira.
  
A Sikorsky, com sede em Connecticut, não revela valores, mas sabe-se que a tecnologia custa muito caro, tornando o equipamento acessível na maioria das vezes apenas para instituições de altíssimo orçamento, como forças militares de países desenvolvidos.

A ocorrência de “brownout” é tão perigosa que uma das edições do boletim do SERIPA (Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), da FAB, destacou contramedias indicadas por especialistas para que pilotos evitem a ocorrência de acidentes nessas situações. Pousos e decolagens contra o sentido do vento e manobras diretas – sem estabelecer um voo pairado antes – são recomendados, sempre que possível.

A queda em Brasília ocorreu quando os bombeiros tentavam socorrer uma vítima de uma parade cardiorespiratória. Os fatores contribuintes para o acidente serão apontados pelo CENIPA, órgão investigativo da Força Aérea, que poderá recomendar um treinamento mais intensivo aos pilotos do CBMDF para situações de “brownout”. A medida aumentaria ainda mais a segurança na corporação acostumada a salvar uma quantidade enorme de vidas diariamente.