Coronavírus

Brasil Queiroga cita Oswaldo Cruz e diz que país vive 'guerra de vacinas'

Queiroga cita Oswaldo Cruz e diz que país vive 'guerra de vacinas'

Ministro reafirmou que até o fim do ano 630 milhões de doses contra a covid chegarão. Imunizantes da Janssen não têm data

  • Brasil | Daniel Trevor, da Record TV em Brasília, com R7

Marcelo Queiroga durante depoimento à CPI da Covid no Senado

Marcelo Queiroga durante depoimento à CPI da Covid no Senado

Jefferson Rudy/Agência Senado - 08.06.2021

Em meio a uma corrida para cumprir a promessa de vacinar todos os brasileiros contra a covid-19, ao menos com uma dose, até o fim deste ano, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, citou o médico Oswaldo Cruz, que dá nome ao instituto que produz o imunizante da AstraZeneca, e afirmou que o Brasil enfrenta uma "guerra de vacinas".

"A campanha está vacinando, está indo bem. Então, [quero] passar uma mensagem de tranquilidade a todos os brasileiros. Oswaldo Cruz, lá no passado, enfrentou uma revolta das vacinas e hoje nós enfrentamos uma guerra de vacinas", disse o ministro durante entrevista após o lançamento do Programa Telessaúde do Brasil, em Cristalina, interior de Goiás.

Um dos grandes personagens que atuaram na saúde pública brasileira, Oswaldo Cruz foi um sanitarista que se notabilizou, no início do século passado, no combate a pandemias, como febre amarela, peste bubônica e varíola. Ele é considerado o fundador da medicina experimental no Brasil e propôs a criação de soros e vacinas.

Conforme o arquivo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em 1904, o médico propôs ao governo da época o envio ao Congresso de um projeto para reinstaurar a obrigatoriedade da vacinação contra a varíola. A lei foi aprovada e a população, que desconhecia os benefícios do imunizante e contaminada com os boatos e fake news da época, se revoltou.

Queiroga reafirmou que, até o fim do ano, 630 milhões de doses chegarão ao país e pediu às pessoas que não voltaram aos postos de saúde para tomar a segunda dose que contribuam com a campanha nacional. "Só com a segunda dose – com exceção da Janssen, que é uma dose única –, é que se faz a imunização completa", explicou.

Assim como na quarta-feira (16), o ministro destacou não ser possível estimar prazo para a chegada das 3 milhões de doses da vacina da Janssen contra o novo coronavírus. "Não tem previsão de chegar. Quando chegar, nós vamos dizer. O principal interessado em dizer somos nós. Porque isso é fruto do nosso esforço, do nosso trabalho."

O titular da pasta destacou ainda a antecipação de 7 milhões de vacinas da Pfizer, o que quase dobrou a previsão para julho. Com a nova remessa, o Brasil vai receber 15 milhões de doses no mês que vem. Segundo o ministro, a partir do segundo semestre, o país deve receber a maioria das 200 milhões de doses contratadas da farmacêutica.

"Agora em julho nós conseguimos antecipar 7 milhões de doses da Pfizer graças ao empenho pessoal do presidente da República. Então vamos trabalhar forte porque queremos que até o mês de setembro tenhamos a população acima de 18 anos vacinada com pelo menos a primeira dose de vacina", afirmou.

O Vacinômetro do R7 indica que foram aplicadas no país, até o início da tarde desta quinta-feira (17), 59.541.051 doses contra o novo coronavírus, o equivalente a 28,12% da população. Com a segunda dose, 24.138.038 de injeções foram dadas (11,4%).

Conforme o balanço mais recente do governo federal, com os dados enviados pelos estados ao Ministério da Saúde e ao Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde), o Brasil registrou, nesta quarta-feira (16), 2.997 mortes por covid-19 e 95.367 novos casos diagnosticados.

Terceira dose?

Conforme o titular da pasta, se houver necessidade de reforço na vacina com terceira dose no ano que vem, o governo federal está preparado para a logística. "Nós temos muitas evidências em relação às vacinas, temos outras evidências que são construídas. Uma delas é a necessidade de vacinar no ano que vem e este ponto tem sido discutido. E o governo já tem atuado com uma estratégia organizada", afirmou.

"Primeiro, já temos a transferência de tecnologia da AstraZeneca que vai garantir a produção do IFA nacional. Segundo que já discutimos com outras farmacêuticas a possibilidade de doses adicionais, entre elas a Moderna. Quando houver algo concreto e definitivo, como vem tem sido feito desde o início da nossa gestão, nós vamos informar a vocês e vocês vão divulgar para a população brasileira", completou.

Nova secretária

A respeito da nomeação da médica Rosana Leite de Melo para o cargo de secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 da pasta, Queiroga afirmou que a cirurgiã se encaixa com a sua linha de pensamento e de trabalho. 

"A secretária é a professora Rosana Leite de Melo, da Universidade Federal de Mato Grosso, funcionária pública. Já presidiu o Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso do Sul, já foi coordenadora da Comissão Nacional de Residência Médica. E é um perfil adequado para trabalhar comigo no enfrentamento à pandemia da covid-19. Vamos trabalhar forte para vencer a pandemia da covid", falou.

Rosana vai ocupar o posto que seria da infectologista Luana Araújo, que chegou a ser anunciada para a função, mas após dez dias, acabou informada pelo ministro que não seria mais nomeada.

A polêmica em torno do assunto chegou à CPI da Covid no Senado. Em 2 de maio, ao ser ouvida pela comissão, Luana declarou ter entendido na ocasião que órgãos superiores haviam vetado sua presença na secretaria de acompanhamento da pandemia.

Luana é contrária ao tratamento precoce com uso de medicamentos como a cloroquina contra covid-19. Para ela, a discussão "é delirante, esdrúxula. anacrônica e contraproducente".

Para o ministro, a chegada de Rosana não muda as estratégias no enfrentamento à pandemia, e sim reforça as ações, uma vez que a direção seguirá centralizada nele.

"O objetivo de criar as secretarias era centralizar em uma pasta todas essas ações para que tivéssemos ou tenhamos mais efetividade no enfrentamento à pandemia e dialogar com estados e municípios. E eu busquei o perfil da doutora Rosana, que tem um perfil um pouco parecido com o meu, para buscar harmonizar as relações e avançarmos no que interessa", explicou.

CPI da Covid

O ministro finalizou a entrevista dizendo não estar preocupado com a decisão do relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), de mudar o status dele de testemunha para investigado na comissão. "Tenho que me preocupar com a vida dos brasileiros. Eu sou ministro da Saúde e a minha vida é um livro aberto, não tenho nenhum receio disso aí. Vamos trabalhar."

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