CPI da Covid

Brasil Queiroga diz desconhecer existência de 'gabinete paralelo'

Queiroga diz desconhecer existência de 'gabinete paralelo'

Ministro da Saúde admitiu encontros pontuais com alguns dos supostos integrantes do que seria o grupo de aconselhamento

  • Brasil | Do R7

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga

Jefferson Rudy/Agência Senado - 08.06.2021

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou à CPI da Covid, do Senado Federal, nesta terça-feira (8), que desconhece a atuação de um suposto gabinete paralelo para aconselhamento e tomada de decisões relativas ao combate à pandemia de covid-19 no país.

A atuação do grupo, que teria sido responsável por aconselhar o tratamento precoce com cloroquina, remédio considerado ineficaz contra covid-19 pela maior parte da classe médica e científica, é um dos principais pontos de investigação da CPI.

"Eu desconheço essa atuação em paralelo. Nunca vi esse grupo atuando em paralelo. Não tenho contato com esse grupo", afirmou o ministro à comissão. 

Queiroga disse ter tido contatos isolados, no entanto, com alguns dos supostos membros do 'gabinete paralelo', como a médica Nise Yamaguchi, o empresário Carlos Wizard e o deputado federal Osmar Terra.

O ministro, por outro lado, negou contato com o Arthur Weintraub - irmão do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub -, e com o virologista Paolo Zanotto, que aparece em vídeo de reunião divulgado pelo portal "Metrópoles" afirmando ser necessário "tomar um extremo cuidado" em relação a vacinas no país.

O ministro também admitiu que um representante do ministério se reuniu com parte dos supostos membros do gabinete paralelo. "O fato desses médicos defenderem tratamento A, B, C ou D, não quer dizer que o ministro da Saúde não possa participar", disse. "Não quer dizer que se eu participar do evento, ratifique o que há ali, mas não participei", concluiu. 

Protocolo da cloroquina

O ministro afirmou que recebeu a médica Nise Yamaguchi no Ministério da Saúde e que ela lhe entregou um protocolo de cloroquina usado em Cuba. "A professora Nise Yamaguchi eu recebi no ministério uma vez e ela me entregou um protocolo de cloroquina que era usado em Cuba,  e eu recebi. Me entregou, mostrou aquilo lá, e eu recebi, como recebo outras pessoas", afirmou. Ele não detalhou qual o uso dado ao documento.

Nise Yamaguchi é oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e desde o ano passado participou de reuniões com o governo para discussões relativa à pandemia. Nise já prestou depoimento à CPI e voltou a defender o tratamento precoce e o uso de remédios como a cloroquina contra o novo coronavírus.

Bulas de vacinas

Queiroga teve uma discussão com o senador Otto Alencar (PSD-BA) O bate-boca começou após o senador perguntar se Queiroga tinha lido bulas das vacinas que estão sendo usadas no país, e a resposta foi que não. Otto classificou a atitude como "irresponsável".

Queiroga respondeu: "Vossa excelência não pode querer desqualificar a autoridade sanitária do Brasil por ter lido ou não uma bula", respondeu. "O senhor está levantando a voz para mim", rebateu Alencar.

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