Operação Zelotes

Brasil Quem não faz "negociata" leva a pior, diz conselheiro do "tribunal" da Receita

Quem não faz "negociata" leva a pior, diz conselheiro do "tribunal" da Receita

Conselheiro diz que Carf virou "balcão de negócios" e quem paga impostos são só "coitadinhos"

  • Brasil | Do Estadão Conteúdo

Conversa foi interceptada pela PF em agosto do ano passado

Conversa foi interceptada pela PF em agosto do ano passado

Divulgação/Polícia Federal

Em conversa interceptada pela Polícia Federal, um dos integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), espécie de "tribunal" que avalia recursos de contribuintes em débito com a Receita, afirma que o órgão se tornou um "balcão de negócios" e, no cotidiano de julgamentos, quem não faz "negociata" leva a pior.

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Na escuta, o conselheiro Paulo Roberto Cortez, um dos investigados por participação no esquema para favorecer grandes empresas, afirma ainda que só "coitadinhos" têm de pagar impostos.

— O Carf tem de acabar, não pode. Quem paga imposto é só os coitadinhos (sic). Quem não pode fazer acordo, acerto - não é acordo, é negociata - se f...

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A conversa foi interceptada pela Polícia Federal em 25 de agosto do ano passado. Do outro lado da linha, estava o sócio de Cortez no escritório de assessoria contábil Cortez & Mallmann, que atua no Carf, Nelson Mallmann. No diálogo, os dois mencionam casos de suborno envolvendo conselheiros do Carf e grandes empresas investigadas na Operação Zelotes. Há ao menos 74 pessoas físicas e jurídicas sob suspeita, entre eles gigantes do setor privado, como revelou o jornal "O Estado de S. Paulo" no último sábado, dia 28.

Em um dos trechos, o conselheiro afirma, referindo-se aos recursos de contribuintes que apelam ao "tribunal" da Receita.

— Eles estão mantendo absurdos contra os pequenininhos e esses grandões estão passando tudo livre, isento de imposto. É só pagar taxa.

Na conversa, ele diz que o Carf tem de fechar para que os casos a ele levados passem a ser discutidos no Judiciário.

— Não pode isso aí. Virou balcão de negócios. Dá vergonha, cara.

Na Operação Zelotes, a Polícia Federal e a Procuradoria da República no DF pediram a prisão temporária de Cortez por supostas práticas de associação criminosa, tráfico de influência e lavagem de dinheiro. A Justiça, no entanto, não considerou a medida necessária. Segundo o inquérito, as empresas de Cortez foram usadas para "branquear" pagamentos de clientes que buscavam alterar os julgamentos do Carf.

A reportagem telefonou para o escritório de Cortez e Mallmann, mas as ligações foram interrompidas. "Não temos interesse", disse o atendente, que não se identificou. Cortez e o sócio também não responderam e-mails e telefonemas.

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