Novo Coronavírus

Brasil Registros de óbitos fazem de 2020 ano com mais mortes no Brasil

Registros de óbitos fazem de 2020 ano com mais mortes no Brasil

No total, 1,4 milhão de pessoas morreram no último ano, o que representou um aumento de 8,6% se comparado a 2019

Agência Estado
Cemitério de Manaus, uma das cidades do país onde a covid-19 mais deixou vítimas

Cemitério de Manaus, uma das cidades do país onde a covid-19 mais deixou vítimas

Bruno Kelly/Reuters - 26.05.2020

O ano de 2020 bateu recorde de registro de mortes no país, segundo a Arpen-Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais, que representa os cartórios. No total, 1,4 milhão de pessoas morreram no último ano, o que representou um aumento de 8,6% se comparado a 2019. 

A variação é cerca de quatro vezes maior do que as taxas observadas na série histórica, que até então não havia ultrapassado 1,9% de aumento das mortes por ano. A associação destaca que os números estão intimamente ligados à pandemia do novo coronavírus, que no Brasil já matou mais de 200 mil pessoas.

Segundo a associação, o número de óbitos registrados em 2020 ainda pode crescer, uma vez que o intervalo entre a data do falecimento e o seu respectivo registro no Portal da Transparência do Registro Civil pode demorar até 15 dias. Com a eclosão da pandemia, muitos estados ainda editaram suas regras para o registro das mortes, expandindo os prazos, devido ao tempo necessário pelos órgãos de saúde para diagnosticar se os óbitos foram provocados pela covid-19.

As mortes ocorridas em casa dispararam, apresentando aumento de 22,2%. Para a associação, esse crescimento se deve à insegurança dos cidadãos em comparecer nos postos de saúde e hospitais, que têm estado com suas capacidades de atendimento comprometidas.

Foi observado que, entre as mortes ocorridas em domicílio, o maior crescimento foi de mortes causadas por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), que aumentou 710%. Nos hospitais, também houve uma explosão de falecimentos justificados por essa síndrome, sendo observado um crescimento de 988%. Esse dado é importante, uma vez que muitos casos de covid-19 não identificados até o falecimento do paciente são registrados como SRAG.

No geral, houve aumento de 34,9% de mortes causadas por doenças respiratórias, sendo a Síndrome Respiratória Aguda Grave a principal responsável por essa elevação dos registros. Os falecimentos causados por sintomas cardíacos também aumentaram em relação a 2019, passando de 270,2 mil para 284,1 mil, ou seja um crescimento de 5,1%. Desses casos, os sintomas cardiovasculares inespecíficos subiram 28,8% entre os anos. A associação explica que o aumento dos óbitos em domicílio é um dos fatores que contribuíram para a não identificação das causas dessas mortes.

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